A Renov é uma empresa especializada em programas de troca de smartphones usados como parte do pagamento por um novo (trade-in). Para avaliar os dispositivos, desenvolveu uma tecnologia baseada em inteligência artificial capaz de analisar imagens dos aparelhos e identificar danos estéticos e problemas funcionais, classificar o estado de conservação e calcular descontos de acordo com os defeitos identificados. Segundo a empresa, o tempo médio de avaliação caiu de 15 para três minutos com a quarta geração do sistema, lançado em outubro.

Para fazer a avaliação, o vendedor deve tirar quatro fotos do aparelho, que são analisadas pelo algoritmo para determinar o estado de conservação do celular. A proposta é que a solução reduza a dependência da avaliação feita pelo próprio vendedor da loja, que nem sempre tem conhecimento técnico para identificar defeitos ou determinar sua gravidade.

A inteligência artificial

A plataforma combina técnicas de machine learning, modelos matemáticos e algoritmos. A tecnologia analisa mais de 100 combinações de critérios para classificar os dispositivos.

Entre os principais desafios estão avaliar a intensidade dos impactos, que pode influenciar o valor pago pelo aparelho, e verificar seu funcionamento. O sistema também precisa diferenciar defeitos reais de características provocadas pelas condições de captura das imagens. A iluminação da loja, por exemplo, pode gerar reflexos ou faixas luminosas que se confundem com linhas no display. O algoritmo é treinado para reconhecer essas situações e evitar classificações incorretas.

A ferramenta também verifica a qualidade das fotografias. Quando identifica uma imagem borrada ou inadequada para análise, orienta o vendedor a refazer o registro. Segundo o cofundador e CEO da Renov, a tecnologia foi desenvolvida para funcionar mesmo com câmeras de qualidade inferior, sem exigir uma resolução mínima da câmera utilizada pelo vendedor.

A partir dos defeitos identificados, a Renov descontos específicos, levando em conta, entre outros fatores, o modelo do aparelho e o componente afetado.

Expansão

Presente em mais de 2,5 mil pontos de venda – como as lojas físicas da TIM, varejistas como Casas Bahia, a intenção da empresa é que, em 2027, o seu trade-in expanda também para o online.

“Queremos potencializar mercados não tradicionais de trocas no Brasil. Normalmente, é loja física, poucos operam no online. Mas, por conta da nossa tecnologia e dos nossos processos, acreditamos que em 2027 será o grande ano de expansão da Renov para canais online. É um desafio grande porque daremos poder para o próprio cliente”, conta Matheus Mundstock, cofundador e CEO da Renov, em conversa recente com Mobile Time.

Para viabilizar a operação, a empresa pretende estabelecer uma parceria logística com os Correios. Na prática, o cliente poderá acessar o site de um parceiro da Renov e avaliar o celular de casa. Ao concluir o processo, receberá um cupom para utilizar no site do parceiro. A Renov ficará responsável pela logística reversa. “É um mercado que queremos expandir muito”, comenta.

Os dispositivos usados podem ter diferentes destinos:

  • ser reaproveitados para a cobertura de sinistros e a reposição de aparelhos nos programas de seguros da empresa;
  • ser direcionados ao serviço de aluguel ou assinatura de smartphones do grupo, permitindo oferecer mensalidades mais acessíveis a outros consumidores;
  • ser revendidos em canais B2B e marketplaces; ou
  • ser encaminhados para reciclagem e reaproveitamento de componentes.

Sobre a Renov

Em abril de 2026, a Renov foi adquirida e integrada ao Grupo Pitzi, insurtech que oferece serviços de proteção para eletrônicos e bens de consumo no Brasil.

A integração unificou as soluções das empresas em um ecossistema voltado à gestão de todo o ciclo de vida dos dispositivos.

A Renov registrou crescimento de 320% no volume de aparelhos adquiridos no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Com a integração da empresa ao grupo e a expansão do negócio de aluguel de produtos usados por meio da Leapfone, terceira empresa do Grupo Pitzi, a expectativa é de crescimento de 40% no faturamento em 2027.