A HeadOffice.ai, empresa de inteligência artificial com sede no Vale do Silício e operações no Brasil e nos Estados Unidos, captou R$ 10 milhões em duas rodadas de investimento e chegou a um valuation de R$ 75 milhões. Os recursos serão direcionados à expansão da operação americana, ao desenvolvimento da plataforma e ao fortalecimento da presença comercial no Brasil.

O perfil dos investidores é um dos elementos que distingue a captação. Além de fundos e executivos do setor de tecnologia, as rodadas atraíram empresários que conheceram as soluções da companhia como clientes antes de decidir aportar capital nela. A combinação reforça, para a HeadOffice.ai, a validação do modelo de negócio baseado na aplicação de agentes de inteligência artificial (IA) a processos empresariais.

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Quem investiu na HeadOffice.ai

Entre os investidores estão Eduardo Ourivio e Mario Chady, do Grupo Trigo; Ricardo Bomeny, do Grupo BFFC; Gilberto Zancopé, fundador da WAP; e Lito Rodriguez, fundador da DryWash. Todos passaram pela experiência de usar as soluções da empresa antes de se tornarem sócios.

A base de investidores inclui ainda Guilherme Horn, responsável pelo WhatsApp no Brasil; Michel Attar, ligado à NBCUniversal; Daniel Knopfholz, ligado ao Grupo Boticário; e Luciano Snel, chairman da Icatu. Os fundos TA Ventures e Valutia também participaram das rodadas.

“Nosso crescimento está diretamente ligado aos resultados que entregamos aos clientes. Quando clientes que conhecem nossa tecnologia na prática decidem também investir na companhia, isso reforça a confiança no que estamos construindo. Queremos transformar a maneira como as empresas operam, colocando agentes de inteligência artificial e humanos trabalhando juntos na geração de resultados”, diz Marco Carvalho, chief executive officer (CEO) e cofundador da HeadOffice.ai.

Origem da tecnologia

A trajetória da HeadOffice.ai antecede a disseminação da IA generativa. Em 2008, os fundadores da empresa criaram um dos primeiros modelos conversacionais do mundo, antes mesmo do surgimento da Alexa e da Siri. Desse trabalho nasceu o Cão Spock, robô interativo com linguagem natural que vendeu mais de um milhão de unidades globalmente.

Anos depois, já no Vale do Silício, Carvalho, Ivan Zorn e Michele Levy voltaram essa experiência para a automação de processos corporativos. Em 2021, lançaram a HeadOffice.ai com o objetivo de transformar IA em capacidade operacional para empresas.

A companhia desenvolve o que chama de IAgentes, especializados em vendas, atendimento, expansão, recursos humanos e operações. Esses agentes se integram aos dados, sistemas e equipes das organizações para executar tarefas recorrentes e ampliar a capacidade produtiva com velocidade, padronização e controle.

HeadOfficeOS e os escritórios de IA

Essa estrutura levou ao desenvolvimento do HeadOfficeOS, sistema operacional criado para implementar, operar, orquestrar e governar escritórios de IA. A plataforma integra múltiplos agentes a processos empresariais, combinando tecnologia, governança e colaboração entre pessoas e IAgentes.

“Hoje, criar um agente de IA já não é a parte mais difícil. O desafio empresarial está em manter centenas ou até milhares deles atualizados, integrados aos processos, conectados às equipes e operando com segurança. A discussão deixa de ser quantos agentes uma companhia consegue criar e passa a ser qual resultado esses agentes conseguem produzir”, afirma Zorn, chief marketing officer (CMO) e cofundador da HeadOffice.ai.

Entre os clientes atendidos estão Cacau Show, Natura, Grupo Trigo, Casa Bauducco, CNA, WAP, Odonto Company, Paschoalotto e Bio Mundo.

Resultados e retorno sobre investimento

A geração de retorno sobre o investimento (ROI) mensurável é central na proposta da empresa. Cada iniciativa precisa estar vinculada a um indicador de desempenho do negócio, seja para aumentar receitas, elevar taxas de conversão, reduzir custos ou ampliar a capacidade operacional sem crescimento proporcional da estrutura.

“Em uma operação da Cacau Show, por exemplo, a utilização de agentes de IA contribuiu para elevar a taxa de conversão em 360%, além de alcançar uma taxa de recompra superior a 40%, segundo dados fornecidos pela própria empresa”, explica Michele Levy, sócia e cofundadora da HeadOffice.ai.

A estratégia da companhia se apoia no conceito Human + AI: agentes assumem atividades em que tecnologia oferece escala e padronização, enquanto profissionais se concentram em funções estratégicas, criatividade e decisões críticas. Para a próxima fase de adoção corporativa de IA, a HeadOffice.ai avalia que o foco das organizações se deslocará da criação de agentes individuais para a capacidade de integrar, atualizar, operar e governar múltiplos agentes com segurança e compliance.

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