Hackers roubaram US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 33,71 bilhões) da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, em um ataque apontado por analistas como o maior da história do setor.

O incidente provocou quedas no mercado, mobilizou empresas do setor para congelar parte dos recursos e levantou preocupações sobre a segurança das plataformas de negociação de ativos digitais.

As carteiras atingidas estavam distribuídas por 10 redes blockchain, segundo a empresa de análise TRM Labs. – Imagem: Chinnapong/Shutterstock

Ataque atingiu carteiras em 10 blockchains

Segundo a empresa americana de análise de blockchain TRM Labs, os invasores atingiram carteiras da Binance em 10 redes diferentes e transferiram a maior parte dos fundos em aproximadamente 20 minutos. A companhia associou o ataque a grupos da Coreia do Norte, apontando semelhanças técnicas com roubos anteriores atribuídos a Pyongyang, incluindo o ataque à corretora Bybit em 2025, responsabilizado pelo FBI.

A Chainalysis informou que ainda não podia confirmar a causa da invasão. Até as 21h30 (horário de Brasília), a empresa havia identificado pelo menos US$ 5,912 bilhões (cerca de R$ 31,63 bilhões) em ativos roubados.

Mark Karpeles, ex-chefe da corretora Mt. Gox, avaliou, em declaração à Reuters, que os ativos da Binance parecem estar distribuídos entre diferentes sistemas. Para ele, o invasor pode ter obtido uma autorização válida para movimentar recursos em determinados sistemas da plataforma e talvez até acesso a uma chave privada.

A Binance trabalhou com parceiros para bloquear os recursos afetados e localizou aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 16,05 bilhões). A cofundadora da corretora, Yi He, afirmou que a empresa cobrirá todas as perdas decorrentes do ataque.

Outras companhias também participaram dos esforços para impedir a movimentação dos valores:

  • A Tether congelou quase US$ 1,57 bilhão (R$ 8,40 bilhões) em ativos relacionados ao incidente.
  • A Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões (R$ 4,28 bilhões).
  • A Ripple congelou aproximadamente US$ 200 milhões (R$ 1,07 bilhão).
  • A World Liberty Financial, empresa ligada à família do presidente Donald Trump, trabalhou com a custodiante BitGo para bloquear fundos. Segundo Yi He, foram congelados US$ 27 milhões (R$ 144,45 milhões) em stablecoins e cerca de US$ 2 milhões (R$ 10,7 milhões) em tokens da empresa.

Falha levanta dúvidas sobre segurança das corretoras

Uma investigação inicial da Binance indicou que a invasão pode ter começado com o comprometimento do computador de um engenheiro. O acesso teria permitido que o invasor alcançasse um dos sistemas da corretora e realizasse saques não autorizados.

A empresa afirmou que os depósitos dos usuários não foram afetados e que esperava retomar os saques nas 48 horas seguintes ao ataque. A Binance também mantém um fundo de proteção aos clientes, composto integralmente por Bitcoin.

Para Kenneth Goh, diretor de gestão de patrimônio privado da UOB Kay Hian, o ataque a uma das maiores corretoras do mundo deve levar investidores a prestar mais atenção à custódia de seus ativos e à responsabilidade das plataformas quando ocorrem falhas de segurança.

Pessoa encapuzada na frente de bandeira da Coreia do Norte feita de códigos estilo Matrix
Empresas de análise de blockchain apontaram que os hackers responsáveis pelo ataque à Binance são da Coreia do Norte. – Imagem: trambler58/Shutterstock

Ataque provoca volatilidade e preocupa analistas

O mercado reagiu ao incidente com quedas nas negociações. O Bitcoin recuou mais de 3%, atingindo a mínima de seis semanas, de US$ 76.368. O Ether também perdeu mais de 3%, chegando a US$ 2.178. As ações da Coinbase caíram 4,8%, enquanto as da Strategy recuaram quase 6% nas negociações estendidas nos Estados Unidos.

Amanda He, diretora de investimentos da ChainUp Investment, afirmou à Reuters que a queda inicial pode ter sido provocada pela venda de criptomoedas pelo invasor. Na avaliação dela, o movimento contribuiu para espalhar o temor entre investidores durante o pregão asiático. He contou que sua empresa vendeu as posições mantidas na Binance e transferiu os recursos que conseguiu movimentar para stablecoins.

Para Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, uma interrupção nos depósitos e saques da Binance pode prejudicar a movimentação de capital entre plataformas e afetar os formadores de mercado, responsáveis por oferecer preços de compra e venda para facilitar as negociações.

A preocupação com a liquidez também aparece na avaliação de Damon Xu, fundador da 1Token. Em comentário à Reuters, ele previu uma redução nas estratégias que envolvem operações simultâneas em diferentes corretoras e o uso de alavancagem, modalidade que permite negociar com recursos emprestados. Xu considera que plataformas descentralizadas podem se beneficiar de uma eventual migração de capital e atividade comercial.

Já Jeff Ko, analista-chefe da ViaBTC, avaliou à Reuters que o Bitcoin pode enfrentar menos pressão de venda porque suas transações são rastreáveis na blockchain, o que dificulta a movimentação dos recursos roubados sem deixar registros. O Ether, por outro lado, pode sofrer pressão maior devido à existência de ferramentas que facilitam a ocultação da origem das transações.

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