As 140 empresas de tecnologia da informação reconhecidas pelo GPTW como as melhores para trabalhar no Brasil cresceram em média seis vezes mais do que o PIB nacional no último ano. O dado, extraído do estudo GPTW Tecnologia da Informação 2026, resume bem o argumento central do relatório: cultura organizacional não é tema de RH, é estratégia de negócio.
Na 21ª edição do ranking, que impactou mais de 420 mil colaboradores, as premiadas no estágio mais acelerado de inovação registraram crescimento médio de faturamento de 19%, contra 15% da média geral do grupo e 2,3% do PIB brasileiro em 2025. Para Daniela Diniz, diretora de Comunicação e Relações Institucionais do GPTW Brasil, o número não é coincidência. “Equipes diversas tendem a trazer perspectivas diferentes para resolver problemas, entender melhor os clientes e gerar soluções mais criativas”, afirma.
Qualidade de vida na frente
Uma das principais viradas do estudo está no que faz os profissionais de TI quererem permanecer onde trabalham. Pela primeira vez, qualidade de vida (40%) superou oportunidade de crescimento (35%) como principal motivo de permanência nas empresas premiadas. Em 2024, as posições eram invertidas.
Para Daniela, a mudança reflete uma reconfiguração de valores que vai além do setor. “O símbolo de sucesso mudou. Se as gerações anteriores valorizavam mais cargos e promoções, as gerações posteriores valorizam mais o conjunto da obra”, explica. Ela aponta três fatores que explicam a tendência: o modelo de trabalho passou a valer tanto quanto a remuneração, a flexibilidade tornou-se um benefício em si e o tempo virou a moeda mais escassa. “Em um mundo em que misturamos vida pessoal e profissional diante de uma tela, nossa maior escassez é tempo de qualidade.”
O reflexo aparece também na intenção de permanência. Nas premiadas, 90% dos colaboradores dizem querer ficar por muito tempo na empresa, contra 85% das não premiadas. E mesmo com quase metade do quadro tendo menos de dois anos de casa, o desejo de ficar já se manifesta nos primeiros meses.
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Um setor em transformação
O GPTW TI 2026 confirma partes do estereótipo do setor e desafia outras. Das 140 premiadas, 89 estão no Sudeste e 56% dos colaboradores têm até 34 anos. Mas há movimentos que apontam para uma TI mais distribuída e diversa.
A participação de profissionais com 45 anos ou mais cresceu de 12% em 2024 para 15% em 2026. Para Daniela, na era da inteligência artificial, isso representa uma vantagem competitiva. “A maturidade traz um refinamento, repertório e histórico de vida que ajudam a explorar com mais profundidade a IA”, diz.
A distribuição geográfica também avança. Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul aparecem com 12 ou 13 empresas premiadas cada, sinalizando a consolidação de novos polos de tecnologia fora do eixo tradicional. “O trabalho híbrido e remoto ajudou a descentralizar as oportunidades, permitindo que empresas cresçam e disputem profissionais sem necessariamente estarem nos grandes centros”, observa a diretora.
Mulheres avançam na base, recuam no topo
O estudo traz um dado que merece atenção: a presença feminina no quadro geral das premiadas subiu de 34% para 36%, e em posições de liderança intermediária avançou de 39% para 41%. No entanto, a participação de mulheres na presidência-executiva caiu de 10% em 2024 para 6% em 2026.
Daniela aponta flexibilidade, vieses inconscientes e até escolhas pessoais como fatores que explicam o fenômeno. “As mulheres chegam ao mercado quase de igual para igual com os homens na faixa de entrada. À medida que ficam mais experientes, a evasão aumenta”, descreve. A recomendação para líderes que querem mudar esse quadro em 2027 é direta. “Diversidade não se resume à contratação. Ela se consolida quando inclusão, equidade e desenvolvimento caminham juntos.”
O que separa as premiadas
Entre os indicadores que mais diferenciam premiadas de não premiadas, camaradagem lidera com nota 92, acima da média nacional de 90. Nos comportamentos de liderança, contratar e cuidar são os pontos mais bem avaliados pelos colaboradores, com notas 93 cada.
Os maiores desafios seguem concentrados em remuneração e percepção de justiça nas promoções, com as menores médias do Trust Index, o índice de confiança medido pelo GPTW.
Para Daniela, o caminho para transformar esses números passa por uma mudança de perspectiva. “Minha principal recomendação seria parar de enxergar diversidade como uma iniciativa isolada de RH e tratá-la como uma estratégia de negócio e de inovação”, conclui.
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