O Google Cloud pretende dobrar sua capacidade de processamento no Brasil até 2030, em uma expansão impulsionada pelo crescimento da demanda por inteligência artificial (IA) e serviços de nuvem no País. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (24), durante o Google Cloud Summit Brasil 2026, em São Paulo.

A companhia não revelou o valor financeiro previsto para a expansão. Segundo Eduardo López, presidente do Google Cloud para a América Latina, a meta também não significa necessariamente duplicar o número ou o espaço físico dos data centers existentes. O indicador adotado pela empresa é a capacidade computacional disponível para atender clientes no Brasil.

“O que queremos dobrar é a capacidade de processamento, a capacidade de prestar serviços que temos no Brasil”, afirmou López durante coletiva de imprensa. Segundo o executivo, a evolução do hardware permite aumentar o poder computacional sem uma expansão proporcional da área física das instalações.

A empresa afirma ter investido continuamente em sua infraestrutura de data centers no País entre 2016 e 2026. Agora, entra em nova fase. “Vamos duplicar toda nossa capacidade no Brasil entre 2026 e 2030. Ou seja, em menos da metade do período, vamos duplicar nossas capacidades que construímos em praticamente nove anos”, disse López.

Demanda por IA puxa expansão

Segundo Milena Leal, que lidera as operações do Google Cloud no Brasil, a decisão de ampliar a infraestrutura é uma resposta à evolução da demanda dos clientes brasileiros.

A executiva afirmou que a companhia observa uma adoção acelerada não apenas de inteligência artificial, mas também de serviços relacionados à segurança e infraestrutura. A projeção desse crescimento, segundo ela, é considerada na definição dos investimentos necessários para suportar a demanda futura.

Questionado sobre a possibilidade de construção de um novo grande data center no País, López não confirmou planos nesse sentido. Segundo ele, as decisões de investimento são determinadas pela demanda, e a estratégia combina capacidade de processamento instalada no Brasil e conectividade internacional por meio de cabos submarinos.

“Nosso desenho de investimento tem a ver com a demanda. O que estamos fazendo, e que mostra esta duplicação, é que apostamos no crescimento da demanda das empresas brasileiras no uso da nossa plataforma e das nossas ferramentas de IA”, afirmou.

O Google Cloud também anunciou a disponibilidade das máquinas virtuais Google Cloud G4, equipadas com GPUs NVIDIA RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition, na região de nuvem de São Paulo. Segundo a companhia, a infraestrutura é voltada a cargas de trabalho que demandam alto poder computacional, incluindo inferência de IA e aplicações em tempo real.

A expansão sucede a chegada das TPUs de sexta geração ao Brasil, anunciada pela companhia durante o Summit do ano passado. Durante a coletiva desta quinta-feira, executivos disseram que a incorporação das GPUs Blackwell amplia a oferta local de infraestrutura especializada para IA.

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Gemini Enterprise terá processamento local

Outro pilar da estratégia é a ampliação da disponibilidade local do Gemini Enterprise. A partir de 15 de outubro, a versão web da plataforma passará a suportar processamento local de dados para o Gemini 3.5 Flash no Brasil, somando-se ao suporte já existente para armazenamento de dados de clientes em fluxos de trabalho com agentes.

Segundo o Google Cloud, a disponibilidade local busca reduzir a latência de cargas de trabalho de IA corporativa e apoiar organizações no atendimento a exigências regulatórias e de soberania de dados. Para López, a mudança é particularmente relevante para o setor público e empresas de setores regulados. “Com o Gemini Enterprise, vamos ter a capacidade de ter todos os nossos agentes, todas as nossas soluções de IA no Brasil”, afirmou o executivo.

Segurança acompanha expansão da IA

Na área de segurança, o Google Cloud anunciou que empresas no Brasil terão acesso a uma avaliação gratuita de exposição de segurança, realizada em parceria com a Wiz e utilizando o Red Agent.

A ferramenta de pentest baseada em IA analisa a superfície externa de ataque, valida vulnerabilidades consideradas exploráveis e gera um relatório priorizado para correção. O anúncio integra uma série de recursos apresentados pela companhia para ampliar a proteção de ambientes que utilizam agentes de IA.

A empresa também anunciou atualizações do Model Armor, incluindo suporte para análise de imagens e detecção aprimorada de ataques de prompt injection indireto em arquivos do Google Workspace.

Capacitação entra na estratégia brasileira

Além dos investimentos em infraestrutura, o Google Cloud anunciou a distribuição de 10 mil vouchers gratuitos de certificação para desenvolvedores no Brasil.

A iniciativa integra o compromisso da companhia de capacitar 3 milhões de brasileiros em tecnologias de nuvem e IA até 2030. Entre as certificações contempladas estão Associate Cloud Engineer e Generative AI Leader.

O programa também inclui uma nova edição do Capacita+, iniciativa gratuita de treinamento realizada em parceria com mais de 150 instituições de ensino no País. A companhia estabeleceu como meta capacitar 200 mil pessoas em um único dia por meio da iniciativa.

Com a ampliação da capacidade de processamento, a disponibilidade local de serviços de IA e as iniciativas de formação profissional, o Google Cloud busca preparar sua operação brasileira para uma demanda maior por cargas de trabalho de inteligência artificial nos próximos anos.

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