A Anatel confirmou que a Globo já entrou com pedido de frequência temporária para rede celular privativa (RCP) para o GP de São Paulo da Fórmula 1, que ocorre entre 6 e 8 de novembro. A informação foi compartilhada por Marcelo Augusto Scacabarozi, gerente regional da agência em São Paulo, em painel seguido de conversa com Mobile Time no Futurecom Congress Leader nesta quarta-feira, 7.

A iniciativa da emissora dá continuidade a um trabalho iniciado pela Band, a antiga detentora dos direitos de transmissão do torneio automobilístico no Brasil, ao usar RCPs para facilitar a atuação das equipes de vídeo com 5G e sem cabeamento durante a corrida na capital paulista.

A Globo também manterá o trabalho com RCPs, como já realizou no Maracanã.

Vale lembrar que a Band não chegou a usar uma RCP própria, mas network slicing 5G com a Claro. A rede móvel cobria principalmente os mochilinks — as mochilas que permitem à equipe de TV fazer a transmissão ao vivo com mobilidade durante um evento.

A frequência que a Globo utilizará ainda não foi informada. Entre as faixas de espectro disponíveis, há opções em 700 MHz, 2,3 GHz e 3,7 GHz.

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Executivos do setor de redes em painel sobre telemetria e redes privativas na F1 (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)

Em conversa com esta publicação, Scacabarozi afirmou que a expectativa é que o GP de São Paulo supere três mil pedidos de utilização temporária de espectro (UTE). Em 2025, a Anatel recebeu 2,8 mil solicitações, o que torna o evento um dos mais complexos para a gestão de espectro no País.

Trata-se de um trabalho que envolve desde o rádio das escuderias até a gestão de frequências utilizadas por voos de helicópteros. Com isso, o regulador estará presente neste ano no autódromo de Interlagos para atuar com:

  • Fiscalização e inspeção técnica, inclusive de equipamentos de profissionais do exterior que chegam ao país;
  • Monitoramento e proteção de frequências críticas;
  • Investigação de interferências.

Com mais de 20 anos de atuação neste evento, o gerente da Anatel afirmou que, apesar da altíssima demanda, o uso do espectro vem evoluindo ano a ano com a maturidade das faixas pelo ecossistema da F1, fazendo com que as ocorrências caiam e sejam pontuais.

Um dos casos recentes foi o de uma ERB fake usada para enviar mensagens de texto com golpes durante o fim de semana de corrida. Scacabarozi explicou que o criminoso alugou um apartamento para praticar a fraude. A Anatel analisou o caso, localizou e identificou o sinal e atuou com a polícia para a prisão do responsável, evitando vítimas entre os mais de 300 mil espectadores que o evento recebeu durante o fim de semana.

Para este ano, o regulador tem como uma das principais preocupações os drones, tanto que utilizará bloqueadores e equipamentos para derrubá-los, além de um drone específico para medição de frequência.