A gestora de venture capital BVC abriu inscrições para um programa de mentoria voltado ao desenvolvimento de agentes de inteligência artificial (IA). Batizado de BVC AI Agent Fellowship Brazil, o programa selecionará três participantes de São Paulo, entre universitários e integrantes da comunidade tech, para desenvolver projetos ao longo de aproximadamente seis meses.
Fundada em 2014 pelo japonês Mitsuru Nakayama, a gestora está no seu terceiro fundo e coleciona saídas como a Espresso, vendida para a Sankya em 2024, e Cinnecta, adquirida pela Matera em 2023. No portfólio estão companhias como a Conta Simples.
A tese da BVC é investir em startups B2B latino-americanas em estágio inicial, com foco em fintechs, SaaS e soluções de inteligência artificial voltadas a setores específicos. A gestora soma cerca de 50 startups investidas em seis países.
O objetivo da fellowship é incentivar a criação de soluções para problemas reais, aproximando participantes com experiência em programação e automação do desenvolvimento de produtos baseados em IA. Para se candidatar, é necessário ter pelo menos 18 anos, morar na capital paulista e ter experiência prévia com programação e automação.
As inscrições ficam abertas até 1º de novembro. Os selecionados receberão um MacBook Air para utilizar durante o programa e terão acesso à mentoria da equipe de investimentos da gestora.
“Boa parte dos fundadores que vão nos procurar daqui a alguns anos está hoje na universidade. Um estudante que monta um agente para resolver um problema real de uma startup sai do programa sabendo o que um cliente aceita pagar para ter, e é a partir daí que uma empresa começa”, afirma Mitsuru Nakayama, fundador e CEO da BVC.
Segundo o executivo, o programa também pretende reduzir barreiras de acesso às ferramentas necessárias para desenvolver soluções de inteligência artificial. “Muitos que programam bem não têm uma máquina capaz de rodar agentes localmente. O computador tira essa barreira de entrada, e a mentoria mostra como um investidor olha para aquilo que ele está construindo”, diz.
A iniciativa integra outros dois programas que a BVC criou para ampliar seu acesso a empreendedores em diferentes estágios da jornada de captação.
O primeiro é o Open Call, uma chamada aberta para startups de toda a América Latina. Diferentemente dos formulários tradicionais, todas as empresas inscritas passam por uma conversa com a equipe da gestora. As startups que despertam interesse seguem por um processo acelerado de diligência, reduzindo o tempo entre o primeiro contato e uma eventual decisão de investimento.
Já o Samurai é voltado exclusivamente para empreendedores seriais. O programa foi criado para simplificar o fundraising de fundadores que já construíram e venderam empresas anteriormente, oferecendo um processo de análise mais rápido e a possibilidade de aportes de até US$ 1 milhão. A iniciativa reflete a aposta da BVC de que empreendedores com histórico de execução conseguem encurtar parte do processo tradicional de avaliação de um fundo de venture capital.
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