Flávio Bolsonaro ao lado do governador eleito no Paraná, Sergio Moro, durante Visita à Comunidade do Sarandi (RS). Foto: Charles Vieira

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A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25) encerra a primeira tentativa presidencial do senador e abre uma nova disputa pela liderança da direita brasileira. Embora tenha perdido a eleição, o partido de Jair Bolsonaro sairá fortalecido das urnas, com as maiores bancadas da Câmara e do Senado a partir de 2027. 

O resultado deixa Flávio em uma posição particular. O senador conquistou projeção nacional durante a campanha, mas ficará sem mandato parlamentar em fevereiro, quando termina seu período de oito anos no Senado. 

Ao mesmo tempo, outras lideranças da direita chegam fortalecidas ao pós-eleição. Entre elas estão o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Michelle Bolsonaro e dirigentes do PL interessados em influenciar a escolha do candidato presidencial de 2030. 

Michelle e Valdemar podem ganhar espaço 

Para o cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o futuro do bolsonarismo será marcado pela disputa pela herança política de Jair Bolsonaro, independentemente do resultado da eleição presidencial. 

Chaloub destaca que o crescimento do PL ampliou a influência de seu presidente, Valdemar Costa Neto, sobre os rumos da direita. 

“O PL não é só do bolsonarismo, o PL é do bolsonarismo e do Valdemar”, afirmou. 

Segundo o pesquisador, a dimensão das bancadas eleitas e os recursos administrados pela legenda darão ao dirigente partidário instrumentos para participar diretamente das negociações sobre a sucessão presidencial. 

Nesse cenário, Michelle poderá ampliar sua influência. 

“Caso o Flávio não ganhe, uma grande vitoriosa da eleição pode ser a Michelle Bolsonaro, que agora vai ter o Valdemar da Costa Neto como aliado”, avaliou Chaloub. 

A relação entre Michelle e Flávio foi marcada por divergências durante a definição da candidatura presidencial. A disputa perdeu intensidade após a consolidação do nome do senador, mas poderá voltar a influenciar as articulações para 2030. 

Flávio ficará sem mandato parlamentar 

Flávio encerra seu mandato no Senado em 31 de janeiro de 2027. Como disputou a Presidência, não concorreu à reeleição pelo Rio de Janeiro. 

Será a primeira vez desde 2003, quando assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa fluminense, que o filho mais velho de Jair Bolsonaro ficará sem cargo eletivo. 

A ausência de mandato poderá reduzir sua participação direta nas negociações parlamentares, embora a votação presidencial e a relação com o pai continuem sendo ativos políticos relevantes. 

Flávio também terá de negociar seu espaço no PL com Valdemar Costa Neto, que comandará uma legenda com representação ampliada e acesso expressivo aos recursos públicos de financiamento partidário. 

A continuidade de seu protagonismo dependerá da capacidade de preservar as alianças formadas durante a campanha e de participar da organização da oposição ao quarto mandato de Lula. 

Tarcísio entra na disputa por 2030

A posição de Tarcísio de Freitas será uma das principais variáveis na reorganização da direita. Reeleito governador de São Paulo no primeiro turno, o ex-ministro de Jair Bolsonaro permanecerá à frente do maior colégio eleitoral do país e continuará entre os nomes discutidos para a sucessão presidencial. 

Durante a campanha, Tarcísio abriu mão de disputar o Planalto e apoiou Flávio. A decisão, entretanto, não eliminou as especulações sobre uma candidatura própria em 2030. 

Chaloub avalia que a relação entre os dois poderá ganhar novos contornos após a eleição, especialmente porque o governador terá encerrado seu segundo mandato em São Paulo quando chegar a próxima disputa presidencial. 

O pesquisador também menciona a possibilidade de divergências entre diferentes integrantes da família Bolsonaro e aliados que desejam construir projetos políticos próprios. 

Bolsonarismo poderá enfrentar divisões internas 

O cientista político Murilo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB), também considera que o crescimento eleitoral da direita poderá provocar disputas internas. 

 Medeiros destaca que a expansão do grupo no Congresso e nos governos estaduais aumentou o número de lideranças interessadas em exercer influência nacional. 

Segundo ele, poderão surgir divisões entre setores mais pragmáticos e grupos que defendem uma atuação mais ideológica. 

A avaliação considera que o bolsonarismo reúne diferentes interesses políticos, representados por integrantes da família Bolsonaro, governadores, parlamentares e dirigentes partidários. 

A definição de uma candidatura para 2030 dependerá da capacidade dessas lideranças de construir acordos e evitar uma fragmentação da direita. 

PL terá força para fazer oposição a Lula 

Apesar da derrota presidencial, o PL terá instrumentos importantes de atuação no Congresso. 

A legenda elegeu 121 deputados federais e contará com 28 senadores na próxima legislatura, consolidando-se como a maior bancada individual nas duas Casas. 

No Senado, o partido terá condições de bloquear propostas de emenda à Constituição, que exigem pelo menos 49 votos favoráveis. Para aprovar mudanças constitucionais, Lula precisará negociar com integrantes de outras legendas e, eventualmente, com parlamentares do próprio PL. 

A bancada também poderá influenciar a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado, a composição de comissões e o andamento de projetos de interesse do governo. 

O tamanho da representação parlamentar coloca Valdemar Costa Neto em posição relevante nas negociações com outras forças políticas, inclusive na organização da oposição. 

Flávio poderá disputar novamente a Presidência? 

A votação conquistada por Flávio em 2026 poderá sustentar uma nova candidatura presidencial, mas a decisão dependerá das articulações dentro do PL e da relação entre as lideranças da direita nos próximos quatro anos. 

Durante a campanha, o senador conseguiu reunir apoios de partidos de centro-direita e ampliar sua interlocução com setores empresariais. A manutenção dessas alianças fora de um mandato eletivo será um dos desafios após a derrota. 

A disputa pelo apoio de Jair Bolsonaro também continuará relevante. Foi a escolha do ex-presidente que permitiu a Flávio consolidar sua candidatura, apesar das resistências iniciais de parte da direita. 

Agora, o PL terá de reorganizar sua atuação como principal força de oposição a Lula e administrar as ambições de lideranças que poderão disputar espaço na eleição seguinte. 

O fortalecimento parlamentar do partido amplia sua influência nacional, mas também torna mais relevante a disputa pelo comando de sua estrutura e pela escolha do candidato que representará a direita em 2030. 

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