A Firecrawl captou US$ 75 milhões, cerca de R$ 400 milhões, em uma rodada Série B liderada pela Smash Capital. O aporte, que conta também com participação da Altos, Nexus, Y Combinator, Freestyle e Offline Ventures, será usado para expandir a operação da startup e financiar o desenvolvimento da Alexandria, nova plataforma de conhecimento para modelos e agentes de inteligência artificial (IA).
A iniciativa marca uma virada de estratégia da companhia: a Firecrawl, fundada há dois anos para estruturar dados da web para desenvolvedores, passa a construir o que descreve como o maior repositório de conhecimento do mundo para IA. O projeto parte de um problema identificado no setor: os modelos se tornaram capazes de executar tarefas complexas, mas as informações de que precisam permanecem dispersas entre publicações científicas, bases de dados corporativas, documentos governamentais e sistemas de diferentes organizações.
Alexandria e o repositório para agentes de IA
A Alexandria reúne artigos científicos públicos nas áreas de medicina, biologia e IA, além de conhecimento consolidado em 70 milhões de bases de código. O acervo inclui dezenas de milhões de documentos governamentais, como materiais de tribunais, da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) e de legislação e regulação federal.
A plataforma também integra centenas de provedores de dados em tempo real. As categorias cobertas incluem mercado financeiro, macroeconomia, varejo, comércio eletrônico, delivery, mercado imobiliário, viagens, hotelaria e vagas de emprego, além de informações B2B, redes sociais, newsletters, lojas de aplicativos e modelos de IA. Os dados atualizados da internet chegam à Alexandria por meio da própria infraestrutura da Firecrawl.
Qualquer pessoa, empresa ou agente de IA pode contribuir com conteúdo para o repositório. O modelo prevê desde profissionais com conhecimento especializado até organizações que mantêm bases setoriais e agentes autônomos capazes de reunir novos materiais.
“Existe uma quantidade enorme de conhecimento que ainda não está facilmente acessível aos modelos de IA, seja em pesquisas científicas, bases de empresas ou na experiência de profissionais. Queremos criar uma infraestrutura em que qualquer pessoa, organização ou agente possa contribuir com essas informações e torná-las acessíveis a diferentes modelos. Quanto mais fontes conseguirmos conectar, maior será a capacidade dos agentes de trabalhar com informações atualizadas e especializadas”, explica o diretor de tecnologia (CTO) e cofundador da Firecrawl, Nicolas Silberstein Camara.
Crescimento da Firecrawl antes da rodada
A Firecrawl foi fundada por Nicolas Silberstein Camara, brasileiro, ao lado de Caleb Peffer e Eric Ciarla. A startup já reúne mais de 1,5 milhão de desenvolvedores e atende empresas como Shopify, Apple, Lovable e Canva. No GitHub, a companhia integra o Top 100 global de projetos mais populares e ultrapassou 175 mil estrelas.
A Série B ocorre um ano após a Série A, que levantou R$ 81 milhões com liderança da Nexus e da Y Combinator. Silberstein afirma que o intervalo entre as rodadas reflete a confiança dos investidores na infraestrutura construída pela companhia.
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“Receber uma nova rodada de investimento apenas um ano após a Série A reforça a confiança dos investidores na infraestrutura que construímos e na capacidade da Firecrawl de atender à crescente procura por dados para inteligência artificial. Nesse período, ampliamos nossa presença global e passamos a atender mais de 1,5 milhão de desenvolvedores. Agora, estamos dando um passo além com o novo aporte, que nos permitirá acelerar nossa expansão e avançar na construção da Alexandria, ampliando o acesso a essas informações essenciais para a IA”, afirma o executivo.
A Alexandria foi desenvolvida de forma independente dos laboratórios de IA e é compatível com modelos abertos e proprietários. O acesso se dá por meio de interface de programação de aplicações (API), protocolo de contexto de modelo (MCP, na sigla em inglês para Model Context Protocol) ou interface de linha de comando (CLI, na sigla em inglês para Command Line Interface), permitindo sua integração a diferentes aplicações e agentes de IA.
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