A Tesla vai parar de fabricar o Cybertruck no próximo ano. O anúncio foi feito pelo CEO da empresa norte-americana, Elon Musk, em publicação no X, na qual ele afirmou que o espaço da fábrica será usado para produzir mais unidades do Cybercab, o robotáxi de dois lugares da companhia.
A decisão põe fim, após poucos anos, à trajetória da picape elétrica de design futurista e carroceria revestida de aço. Quando entregou as primeiras unidades, no fim de 2023, Musk previu que a Tesla venderia cerca de 250 mil Cybertrucks por ano. Em três anos, a empresa vendeu dezenas de milhares no total.
Uma grande perda para a humanidade, é claro. Mas não há tempo para lamentações. A Tesla já tem outros planos e busca se reposicionar como uma empresa de inteligência artificial e robótica.
Foco em robotáxis
Nos últimos dois meses, a Tesla colocou os Cybercabs para rodar em Austin, no Texas, cidade-sede da empresa. A companhia diz que pretende levar a operação para outras cidades, a começar por Dallas, ainda neste mês. A empresa também opera versões robotáxi do SUV Model Y em Austin, Houston e Dallas, além de três cidades da Flórida.
O Cybertruck é o terceiro produto que a Tesla descontinua para financiar essas ambições. No início deste ano, a empresa decidiu encerrar a produção do sedã Model S e do SUV Model X e usar o espaço dessas linhas para fabricar os robôs humanoides Optimus.
Promessas e atrasos
Anunciado em 2019, o Cybertruck era um produto pelo qual Musk nutria uma obsessão antiga. “Provavelmente meu favorito pessoal para o próximo produto é a picape, e vamos fazer uma picape incrível”, disse ele em uma teleconferência de resultados da empresa naquele ano. A expectativa era tão alta que, antes mesmo do início da construção, a Tesla se referia à fábrica do Texas como a “fábrica do Cybertruck”.
O projeto foi inspirado em histórias de ficção científica cyberpunk, como “Blade Runner”, e isso ficou evidente no visual. Nas especificações básicas, porém, a promessa não se cumpriu. No evento de apresentação de 2019, hoje famoso, o chefe de design, Franz von Holzhausen, rachou os vidros da picape com bolas de aço. Na ocasião, a empresa disse que o veículo custaria menos de US$ 40 mil e teria até 500 milhas (cerca de 800 km) de autonomia. Nenhum dos dois números foi alcançado.
A picape atrasou dois anos, em parte por causa da pandemia de Covid-19. Quando chegou ao mercado, no fim de 2023, as primeiras unidades foram entregues em um evento curto e, para os padrões da Tesla, um tanto estranho. Musk, em um palco com pouca iluminação, subiu na caçamba e descreveu o veículo como “o que há de melhor em equipamento apocalíptico”, com “vibes de fim de civilização”. O preço-base já tinha subido para cerca de US$ 60 mil, e a autonomia máxima havia encolhido mais de 100 milhas (cerca de 160 km).
Desde então, a picape enfrenta dificuldades no mercado. Segundo o TechCrumch, o design polarizador não pareceu agradar aos compradores, principalmente com um preço acima do esperado.
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