Resumo
- A Vivo denuncia o serviço de filtro de telemarketing da TIM, alegando que ele bloqueia seletivamente apenas as ligações de ofertas da Vivo, violando princípios de isonomia e transparência.
- A TIM contesta, afirmando que a Vivo fez uma “jogada de mestre” ao criar uma ferramenta antispam que protege seus clientes e impede que outras empresas façam ofertas.
- A Anatel determina que os serviços de bloqueio de telemarketing devem ser gratuitos, transparentes e isonômicos, o que a TIM e a Vivo buscam implementar, enquanto a Claro também lançou um serviço similar.
O Tecnoblog apurou que as tecnologias contra telemarketing acirraram os ânimos entre duas gigantes de telecomunicações: Vivo e TIM. No episódio mais recente, os representantes da Vivo resolveram procurar as autoridades para expressar descontentamento com a ferramenta, produzida a toque de caixa pela rival italiana. Ela começou a funcionar de forma gratuita em 8 de setembro.
Fontes no mercado me contaram que, na visão da Vivo, o serviço está funcionando somente para barrar as ligações que ela dispara aos clientes da TIM. Não estaria, portanto, seguindo regras de isonomia e transparência definidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em outras palavras, a TIM está bloqueando somente as chamadas abusivas da Vivo.
Pessoas do alto escalão da TIM avaliam que a Vivo fez uma “jogada de mestre” ao produzir uma ferramenta antispam que evita a perturbação dos próprios clientes com toda sorte de chamadas de ofertas e, de quebra, impossibilita que outras prestadoras “assediem” esses consumidores. Ou seja, ficam “bem na fita” numa pauta que sensibiliza todo o país e ainda preservam a base de clientes.

A ferramenta da Vivo e a reação das concorrentes
A tecnologia da Vivo foi desenvolvida internamente e está em operação há pelo menos 18 meses. Inicialmente, seria cobrada a assinatura de R$ 10 por mês. Hoje, é gratuita para todos os clientes. Este é o modelo, aliás, que a Anatel ordenou para todo o setor. Quer oferecer serviço contra telemarketing? Até pode, mas deve ser gratuito, transparente e isonômico.
O mais recente movimento da TIM é tratado no quartel-general da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, como um caso de “reciprocidade”.
Enquanto isso, a Claro come pelas beiradas: ativou um serviço similar em 13 de setembro. Ainda falta, porém, prestar esclarecimentos sobre os critérios de bloqueio.
Não custa lembrar: as ferramentas mais novas contra telemarketing são uma evolução em relação a apps nativos da Apple e da Samsung, além do Truecaller, porque a filtragem ocorre na rede de telefonia. O telefone nem toca.

