O FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos) atribuiu à Coreia do Norte o ataque hacker que desviou US$ 6,3 bilhões (aproximadamente R$ 33,8 bilhões) da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo. Segundo a agência estadunidense, a operação foi conduzida pelo TraderTraitor, grupo de hackers patrocinado pelo governo norte-coreano.

Em comunicado divulgado no sábado (31), o FBI afirmou que os criminosos roubaram mais de US$ 6 bilhões (cerca de R$ 32,2 bilhões) em ativos digitais da plataforma por volta de 29 de outubro. A agência também informou que integrantes do grupo foram identificados convertendo parte das criptomoedas roubadas em Ether, moeda digital da rede Ethereum.

Os investigadores esperam que os criminosos tentem lavar os recursos por meio de operações envolvendo plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) e serviços de troca instantânea de criptomoedas. Por isso, o FBI pediu que empresas do setor bloqueiem transações relacionadas aos endereços digitais utilizados pelo grupo para movimentar os valores.

A identificação representa uma atribuição oficial do ataque às autoridades norte-coreanas. Antes do comunicado, empresas privadas de análise de blockchain já apontavam indícios de participação do país.

Grupo hacker tem histórico de ataques a criptomoedas

  • Segundo a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA, na sigla em inglês), o TraderTraitor é um grupo patrocinado pelo Estado norte-coreano associado a roubos de criptomoedas e operações cibernéticas desde pelo menos 2020;
  • A unidade é considerada parte do Lazarus Group, organização hacker que já realizou ataques contra empresas de diferentes setores, especialmente no mercado de blockchain e criptomoedas;
  • Entre as estratégias utilizadas estão campanhas de spear phishing, nas quais criminosos enviam mensagens direcionadas para enganar vítimas específicas e obter acesso a sistemas e informações confidenciais, além da distribuição de programas maliciosos;
  • O TraderTraitor também foi associado ao roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8 bilhões) da corretora Bybit, em fevereiro de 2025. Na ocasião, o FBI também atribuiu o ataque à Coreia do Norte;
  • O governo de Pyongyang nega há anos utilizar unidades cibernéticas ligadas ao Estado para espionagem, roubos financeiros e obtenção de recursos. Após a acusação contra a Binance, a missão diplomática norte-coreana em Genebra (Suíça) e a embaixada do país na China não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.

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Binance cobriu todo o valor roubado em ataque hacker – Imagem: Sergio Photone/Shutterstock

Como aconteceu o ataque à Binance?

A invasão foi descrita pelo co-CEO da Binance, Richard Teng, como um ataque complexo, que envolveu diferentes vulnerabilidades.

A investigação inicial da corretora apontou que um computador portátil comprometido, pertencente a um engenheiro da empresa, pode ter servido como ponto de entrada para os criminosos. O acesso teria permitido que os invasores alcançassem um sistema interno e autorizassem transações de retirada não permitidas.

Teng também afirmou que os hackers utilizaram um programa malicioso desenvolvido para apagar evidências das próprias atividades, dificultando o rastreamento e a investigação.

A maior parte dos recursos foi desviada em aproximadamente 20 minutos, na noite de quinta-feira (29). Os criminosos conseguiram acessar carteiras digitais da plataforma e transferir os ativos para endereços sob seu controle.

A Binance suspendeu temporariamente depósitos e saques enquanto realizava verificações de segurança e trabalhava com autoridades e empresas especializadas para rastrear e congelar os valores.

Binance cobre 95% das perdas

Após o ataque, a Binance afirmou que assumiria integralmente o impacto financeiro do roubo. A empresa reservou aproximadamente US$ 6,34 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) de seus próprios recursos para recompor os ativos.

Na atualização mais recente, a corretora informou ter coberto 95% das criptomoedas roubadas, utilizando dinheiro da empresa para comprar tokens substitutos. Os 5% restantes correspondem a ativos com menor liquidez, que podem levar mais tempo para serem encontrados nas quantidades necessárias.

A recomposição envolveu recursos do Secure Asset Fund for Users (SAFU), fundo de proteção aos clientes da Binance, do fundo de seguro de operações futuras e do caixa corporativo.

A corretora também trabalhou com parceiros do setor para congelar parte dos ativos afetados. Até sexta-feira (30), aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 16,1 bilhões) haviam sido localizados por meio desses esforços.

A empresa começou a retomar os saques de Bitcoin, Ether e algumas stablecoins neste domingo (1º), com a liberação gradual de diferentes criptomoedas.

Em comunicado, Richard Teng reforçou que a Binance pretende cobrir integralmente os prejuízos e que os usuários não precisarão arcar com as perdas provocadas pelo ataque.

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