O Grupo Farol Capital alcançou a marca de R$ 1 bilhão em ativos sob custódia após nove anos de operação. Fundada em 2017, a companhia reúne atualmente mais de 3 mil clientes e vem ampliando sua atuação para além da assessoria de investimentos, com serviços de planejamento financeiro, proteção patrimonial, soluções empresariais e atendimento a famílias de alta renda.
A empresa nasceu como Farol Capital Investimentos, escritório vinculado à XP Investimentos, a partir da iniciativa de Clauber Gomes, profissional com três décadas de experiência no mercado financeiro, e Juliano Borba, engenheiro de formação. Ao longo dos anos, a operação evoluiu para um grupo com diferentes frentes de negócios, buscando atender às necessidades financeiras dos clientes em distintas etapas da vida.
A expansão foi acompanhada por uma mudança na abordagem comercial. Em vez de começar pela oferta de produtos, a Farol Capital afirma priorizar o entendimento dos objetivos e das necessidades de cada investidor. A filosofia é resumida no lema “Entender para Atender”, sustentado pelo princípio “Cliente primeiro, produto depois”.
“Dinheiro não é sobre matemática. Finanças não é sobre cálculo. Finanças têm um fator comportamental e emocional que é profundo”, afirma Clauber Gomes, fundador e CEO do grupo. Segundo ele, compreender os sonhos, as realizações desejadas e até os receios dos clientes é parte importante do processo de construção de uma estratégia financeira.
A proposta também busca evitar que a recomendação de investimentos seja feita de maneira isolada. Para Gomes, a escolha dos ativos precisa estar conectada ao objetivo que o cliente pretende alcançar. “Não tem como eu falar de investimento sem falar de um plano financeiro do todo”, diz. Assim, uma pessoa que pretende comprar um imóvel em um ano, por exemplo, pode precisar de uma estratégia diferente daquela que está formando patrimônio para a aposentadoria.
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De escritório de investimentos a grupo de soluções financeiras
Atualmente, a estrutura reúne cinco frentes de atuação: Farol Capital Investimentos, Farol Capital Estratégias, Farol Proteção, Farol Private e Farol Empresas. A primeira concentra os serviços tradicionais de assessoria e construção de carteiras. As demais ampliam o atendimento para planejamento financeiro, seguros, sucessão patrimonial, investimentos internacionais, crédito, câmbio e soluções para pessoas jurídicas.
A diversificação também acompanha uma mudança no perfil de receitas da companhia. Segundo Juliano Borba, sócio-fundador do grupo, os investimentos continuam sendo uma parte importante da operação, mas deixaram de representar a única frente de relacionamento com o cliente. A expectativa é que, nos próximos três a cinco anos, essa atividade corresponda a cerca de 30% do negócio.
“Hoje a gente atende o cliente do 360. O investimento é uma ponta importante, mas não é mais a nossa principal fonte de receita”, explica Borba. A estratégia é oferecer uma estrutura capaz de acompanhar o cliente desde o planejamento financeiro e a organização de dívidas até a formação de patrimônio, o atendimento de alta renda e o segmento private.
Na prática, isso significa que a relação com a empresa não precisa começar quando o investidor já acumulou um patrimônio relevante. “Às vezes chega um cliente com zero de patrimônio. E aí ele não serve para mim? Serve”, afirma Borba. Segundo ele, esse cliente pode ter recursos imobilizados, dívidas a reorganizar ou necessidades de planejamento que antecedem a etapa de investimentos.
Expansão geográfica e tecnologia no atendimento
A Farol Capital mantém sua estrutura física em São Paulo e conta com um ponto de atendimento em Alphaville, voltado principalmente aos clientes da região. A companhia também atende investidores de outros estados, incluindo Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, regiões do Nordeste e do Sul, além de brasileiros que passaram a ter residência fiscal no exterior.
O próximo passo envolve ampliar a presença em regiões próximas à capital paulista e no interior. Guarulhos e o Alto Tietê estão entre as localidades consideradas pela empresa, que identifica oportunidades de atendimento nessas áreas.
A expansão, porém, não depende exclusivamente da abertura de escritórios físicos: a tecnologia permite manter o relacionamento com clientes geograficamente distantes.
Outro eixo de investimento é a digitalização dos processos internos. A empresa estruturou uma equipe dedicada à inteligência artificial e à tecnologia, com o objetivo de melhorar controles, produtividade e velocidade das entregas. Também planeja lançar um novo aplicativo em 2027, para concentrar informações e serviços financeiros em uma única plataforma.
A adoção dessas ferramentas, segundo Gomes, exige atenção à governança e à proteção das informações. A companhia afirma ter estabelecido regras para o uso de inteligência artificial, de modo que dados dos clientes e conhecimentos desenvolvidos internamente permaneçam sob controle da organização.
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Educação financeira e atendimento especializado
A estratégia de crescimento também prevê iniciativas específicas para diferentes perfis de clientes. Para 2027, o grupo planeja ampliar sua agenda de educação financeira, com eventos periódicos, além de encontros voltados a investidores de alta renda e clientes do segmento private.
Borba afirma que a intenção é fortalecer o relacionamento sem abrir mão do atendimento humanizado. “A ideia nossa não é ser uma empresa de tecnologia, distante do cliente. É continuar com a humanização, isso é um diferencial nosso”, diz.
O executivo compara o planejamento financeiro a uma maratona: estabelecer uma meta patrimonial sem considerar a realidade e os hábitos do investidor pode comprometer o percurso. “O dinheiro precisa trabalhar por você. Não seja escravo do dinheiro”, afirma. Para ele, a independência financeira não depende apenas do tamanho do patrimônio acumulado, mas da relação entre os recursos disponíveis, os gastos e os objetivos de vida de cada pessoa.
O desafio dos próximos bilhões
Atingir R$ 1 bilhão representa uma mudança de escala para a companhia, mas os fundadores reconhecem que a estratégia que permitiu alcançar o primeiro bilhão não será necessariamente a mesma para chegar aos próximos. “O que nos levou até o primeiro bilhão não vai ser o que vai nos levar até o segundo”, afirma Borba.
A próxima etapa passa pelo fortalecimento das áreas especializadas, que hoje incluem profissionais dedicados a crédito, câmbio, planejamento financeiro, investimentos internacionais, estruturas de holding e questões tributárias. A intenção é ampliar a capacidade de atender diferentes demandas dentro do mesmo grupo e aprofundar o relacionamento com a base de clientes.
A empresa também pretende diversificar sua carteira, que atualmente tem predominância de pessoas físicas. Segundo Gomes, cerca de 90% da custódia está concentrada nesse público. A meta discutida pelos sócios é buscar uma composição mais equilibrada, com metade dos recursos vinculada a pessoas físicas e metade a pessoas jurídicas nos próximos anos.
“Chegar ao primeiro bilhão é uma conquista importante, mas o nosso maior patrimônio é a confiança dos clientes que caminham conosco”, afirma Gomes.
Para o fundador, o desafio agora é sustentar o crescimento sem perder a proposta que orientou a criação da empresa: compreender as necessidades de cada cliente e ajudá-lo a construir e proteger seu patrimônio.
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