A cidade de Niterói recebe nos dias 25 e 26 de novembro a terceira edição do evento Tomorrow.Blue Economy, que vai reunir startups, investidores, pesquisadores, corporações e demais agentes ligados ao mercado da economia azul. Realizado pelo iCities, em parceria com a Fira Barcelona, o evento é o spin-off internacional da iniciativa e este ano quer ampliar o debate para diferentes setores que participam direta ou indiretamente dessa economia.
Em entrevista ao Startups, Beto Marcelino, presidente do conselho do iCities, afirma que as startups têm um papel importante no evento. Segundo ele, elas têm o potencial de ajudar a solucionar problemas complexos relacionados não apenas à economia do mar, mas às próprias cidades.
“Vejo oportunidades no mercado imobiliário, em tecnologias para retrofit, novas moradias, indústria naval, pranchas de surf, vela, stand-up paddle, novos barcos, novos materiais e biotecnologia. O novo mercado está muito nas mãos das startups”, aponta ele, acrescentando que Niterói tem potencial para concentrar esse ecossistema.
A cidade foi escolhida depois que o então prefeito Axel Grael voltou da edição de Barcelona do Tomorrow.Blue Economy e decidiu trazer para Niterói uma versão do evento. A primeira edição aconteceu em 2024. Agora, a proposta é fazer com que o Tomorrow.Blue Economy funcione não apenas como um encontro anual, mas como uma plataforma de articulação entre indústria, ciência, inovação, capital, poder público e sociedade.
“Niterói tem uma vocação muito forte para a economia azul. Existe potencial no turismo, no mercado imobiliário, na indústria naval, nos estaleiros e na própria relação da cidade com a orla. O objetivo é falar de uma agenda nacional de economia azul e, ao mesmo tempo, colocar Niterói como uma cidade que pode se desenvolver a partir dessa vocação”, afirma Beto.
A expectativa da organização é receber cerca de 5 mil pessoas na terceira edição e ampliar, a partir dela, as conexões entre startups brasileiras e o mercado internacional de economia azul.
Uma das frentes será o Hosted Buyers Program, criado para aproximar empresas e tomadores de decisão. A iniciativa prevê uma agenda de oito reuniões estratégicas para participantes selecionados, com o objetivo de conectar oferta e demanda dentro do ecossistema.
Entre os palestrantes já confirmados para este ano está o espanhol Raffaele Mancini, diretor do Ocean Decade Collaborative Centre – Sustainable Ocean Economy (DCC-SOE), ligado à Década do Oceano da UNESCO. Com mais de duas décadas de atuação na área, ele participa da programação no dia 25 de novembro para discutir como os ecossistemas marinhos podem ser associados a estratégias de crescimento sustentável.
Outra keynote confirmada é a cineasta brasileira Lygia Barbosa, cofundadora da Liga das Mulheres pelo Oceano.
O iCities surgiu há cerca de 15 anos, a partir da ideia de trazer ao Brasil discussões e soluções sobre cidades inteligentes. Segundo Beto Marcelino, um dos responsáveis pela iniciativa, o projeto começou em Curitiba por meio de eventos que reuniam startups, empresas de tecnologia, especialistas em inovação e representantes de diferentes setores. A partir daí, o iCities passou a acompanhar ecossistemas de inovação no Brasil e no exterior, especialmente a experiência de Barcelona.
“Barcelona sempre foi uma referência para nós. Mas o conceito de cidade inteligente foi mudando. Inicialmente, a discussão estava muito ligada à segurança e ao monitoramento. Depois, passou a incorporar mobilidade, sustentabilidade, qualidade de vida e desenvolvimento econômico. Hoje, uma cidade inteligente precisa pensar em segurança, mobilidade, acesso, emprego, turismo, gastronomia e desenvolvimento econômico. Parte disso inclui ter uma orla mais bem trabalhada”, observa Beto.
O post Evento quer transformar Niterói em polo de startups da economia azul apareceu primeiro em Startups.

