A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) substituirá, até o fim de 2028, os disquetes usados para armazenar informações meteorológicas e outros dados críticos em mais de 400 instalações de controle de tráfego aéreo.

O novo sistema reunirá informações operacionais em um único painel, facilitando o acesso dos controladores a atualizações do tráfego aéreo. A tecnologia substituirá quatro sistemas que remontam à década de 1980.

O Congresso dos EUA aprovou US$ 12,5 bilhões para reparar e modernizar o sistema envelhecido de controle aéreo. Novo sistema vai unificar informações operacionais da década de 1980 em uma única plataforma digital. Imagem: Soonthorn Wongsaita/Shutterstock

Modernização substituirá infraestrutura da década de 1980

A mudança ocorre enquanto a agência enfrenta problemas tecnológicos em sua infraestrutura. Os disquetes deixaram de ser amplamente utilizados há mais de 25 anos e não são produzidos em larga escala desde 2011.

No ano passado, o Congresso aprovou US$ 12,5 bilhões (cerca de R$ 68,12 bilhões) para modernizar o sistema de controle aéreo. O secretário de Transportes, Sean Duffy, busca outros US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 163,5 bilhões) para atualizações adicionais.

Ao defender a mudança, o administrador da FAA, Bryan Bedford, destacou os benefícios da nova tecnologia: “Estamos nos afastando de processos manuais ultrapassados e substituindo a tecnologia que antes dependia de disquetes por um sistema moderno que permite aos controladores compartilhar instantaneamente alertas críticos de voo, horários de espaço aéreo restrito e relatórios de pilotos”.

Avião de passageiros deslizando pelo céu
A infraestrutura aérea americana também enfrenta uma escassez de vários milhares de controladores de tráfego aéreo. – Imagem: Gergitek/Shutterstock

Cortes de fibra óptica também afetam o controle aéreo

A modernização não se limita aos sistemas que utilizam disquetes. Em um memorando enviado aos aeroportos em 23 de outubro, a FAA alertou que cortes em cabos de fibra óptica têm provocado interrupções nos serviços de controle de tráfego aéreo, com atrasos, desvios e cancelamentos de voos.

Dois episódios ilustram o problema:

  • Houston, 13 de outubro: um cabo que conectava o Aeroporto Intercontinental George Bush à rede da FAA foi cortado fora de um portão do aeroporto. A ocorrência interrompeu serviços de dados entre instalações da agência e exigiu a suspensão das decolagens.
  • Nordeste dos EUA, setembro: uma falha em um circuito de uma instalação de controle aéreo na Filadélfia e o rompimento acidental de um cabo em Nova Jersey, causado por uma equipe de construção, afetaram milhares de voos.

A infraestrutura também depende de computadores Compaq com décadas de uso, peças de reposição compradas no eBay e sistemas analógicos que operam isoladamente. Segundo Bedford, as instalações não conseguem se comunicar diretamente: “Cada instalação é um silo”.

O país enfrenta ainda uma escassez de vários milhares de controladores de tráfego aéreo, apesar de possuir o espaço aéreo mais complexo do mundo.

Outra mudança em andamento é a substituição das fichas de papel usadas pelos controladores para acompanhar as aeronaves. Iniciado em 2022, o processo já foi concluído em 27 dos 49 principais aeroportos americanos. A implantação nos demais deve levar pelo menos até 2028.

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