Deny Zatariano, fundador da Pikko (Imagem: Divulgação)

Você não precisa ter milhares de seguidores para produzir conteúdo para uma grande marca. Pelo menos é essa a lógica que a Pikko, startup brasileira fundada em 2024, tenta colocar em prática.

A plataforma conecta empresas a pessoas dispostas a produzir vídeos para campanhas e não usa o tamanho da audiência como principal critério para selecionar quem participa. Em uma mesma missão, alguém com 200 seguidores pode concorrer em condições semelhantes às de uma pessoa com 5 mil, por exemplo.

Segundo Deny Zatariano, criador da Pikko, o que realmente é levado em consideração é o “potencial humano”, ou seja, características como a forma de falar, de se portar e o potencial criativo do participante. “Qualquer pessoa com uma rede social e uma boa ideia consegue criar conteúdos dentro da Pikko“, diz em entrevista ao Startups.

O modelo da startup conecta dois públicos. De um lado, marcas que precisam de volume constante de vídeos autênticos — hoje a carteira inclui nomes como Boticário, Multicoisas e Sem Parar, além de mais de 100 empresas, de startups a grandes grupos. Do outro, uma comunidade de cerca de 30 mil creators, para quem basta ter celular e uma rede social ativa, sem exigência de número mínimo de seguidores.

A proposta coloca a Pikko em uma posição diferente da publicidade feita com influenciadores. Em vez de contratar alguém principalmente pelo público que já possui, a marca pode mobilizar dezenas ou centenas de pessoas para produzir diferentes peças de conteúdo.

“Quando você pega uma missão para 100 creators, 100 criadores de conteúdo, um tem mil seguidores, outro tem 500, outro tem 300, outro tem 2 mil. Quando você vê o potencial de 100 pessoas falando ao mesmo tempo, no mesmo dia, da sua marca, você vê um potencial muito grande”, afirma Deny.

As missões pagam entre R$ 100 a R$ 500, dependendo da complexidade, e trabalhos mais simples costumam levar de 30 minutos a uma hora para serem produzidos. O pagamento, de acordo com o fundador, é sempre em dinheiro — nunca em permuta — e é garantido ao creator assim que o vídeo atende ao que foi pedido, independentemente de a marca aprovar ou não o uso final da peça.

“Se você baixar o app agora e se inscrever, você já está participando. Nossa única exigência é de que você tenha uma rede social ativa e aberta. Quando a gente abre a oportunidade para que qualquer pessoa consiga ser criador de conteúdo, às vezes abre até uma renda ou profissão extra”, ressalta o fundador.

Em menos de dois anos de operação, a empresa diz ter crescido cerca de cinco vezes em relação ao ano anterior e projeta fechar 2026 com R$ 1 milhão em faturamento. O modelo de entrada é self-service: qualquer empresa pode se cadastrar no site, passar por uma checagem de CNPJ e, em até 24 horas, comprar créditos e lançar sua primeira missão sem mensalidade.

Do influenciador ao criador comum

Na publicidade tradicional com influenciadores, a audiência daquele perfil é parte importante do que a marca está contratando. Mas no modelo da Pikko, o foco está no próprio conteúdo e na possibilidade de gerar prova social para a empresa. Os vídeos podem ser publicados nas redes dos próprios creators ou entregues às marcas para utilização em anúncios, redes sociais, blogs e outros canais.

A plataforma chama essas demandas de “missões”. Na prática, elas funcionam como briefings: uma empresa pode, por exemplo, pedir que os participantes gravem um vídeo mostrando como é simples utilizar seu aplicativo. Os creators produzem o material, enviam pela plataforma e recebem pelo trabalho quando cumprem o que foi solicitado.

Por trás disso está uma aposta de que o mercado publicitário está valorizando cada vez mais conteúdo feito por pessoas reais, sem cara de produção profissional. “As empresas de mídia, Meta, Google, olham muito para a autenticidade de conteúdo humano de verdade”, destaca o fundador. Ele diz até que vídeos com “imperfeições”, como um cachorro latindo ao fundo ou um bebê chorando, costumam performar melhor justamente por parecerem menos publicitários.

A Pikko também não restringe a participação a quem já trabalha profissionalmente com criação de conteúdo. Para entrar, é preciso ter mais de 18 anos, uma rede social ativa e um celular para gravar os vídeos.

A empresa afirma ter creators de diferentes perfis, incluindo pessoas de 50 e 60 anos, mães que encontraram na plataforma uma possibilidade de renda extra e influenciadores que usam as missões para aumentar o volume de conteúdo produzido.

IA nos bastidores, gente na frente das câmeras

Se de um lado a Pikko tenta ampliar quem pode ser creator e valorizar o potencial humano, do outro usa inteligência artificial praticamente todas as etapas do processo.

Deny aponta que, hoje são mais de oito agentes de IA atuando na plataforma, que ajudam a montar o briefing junto à marca, orientam o creator sobre roteiro, som, luz e enquadramento antes da gravação, e avaliam cada vídeo recebido segundo dez critérios (qualidade técnica, aderência ao briefing, gancho nos primeiros segundos, entre outros) antes de aprová-lo, reprová-lo ou pedir ajustes.

Ainda assim, o processo não é totalmente automatizado, já que há revisão humana em pontos críticos do processo. O suporte aos creators, por exemplo, não é automatizado.

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