Andreessen Horowitz (a16z) | Crédito: Casimiro PT / Shutterstock.com

A Andreessen Horowitz (a16z) levantou US$ 42 milhões, mas desta vez não foi para um fundo, e sim uma escola para formar empreendedores. A tradicional gestora do Vale do Silício lançou nesta terça-feira (22) a The Horowitz Andreessen Academy, uma instituição para “os mais ambiciosos jovens após o high school”, segundo o comunicado.

O curioso é que, ao contrário de instituições de ensino tradicional, a escola da a16z não terá provas, nem dever de casa. Os alunos também não terão que se preocupar com notas. As aulas serão dadas por empreendedores como Sam Altman (OpenAI), Brian Armstrong (Coinbase), Dylan Field (Figma), Amjad Masad (Replit), Marc Andreessen, entre outros.

Além desses “Courses”, os alunos terão uma vertical prática, chamada de “Pursuits”, em que eles mesmos escolhem projetos em que irão trabalhar. “Nosso objetivo não é dizer aos alunos o que construir, mas sim inspirá-los a definir metas audaciosas e a assumir total responsabilidade e protagonismo em relação aos resultados. Se um projeto envolver uma viagem de três semanas ao Japão, a Academy ajudará a custear a viagem e fará a conexão com as pessoas certas assim que você chegar”. Então tá.

O terceiro pilar do programa são os “Co-ops”, uma espécie de estágio em grandes empresas do Vale do Silício. A iniciativa parece ser uma forma de ajudar as gigantes por trás do projeto, como Anduril, Anthropic, Google, Meta, OpenAI, Palantir, a recrutarem mão de obra mais cedo.

Outro ponto que chama atenção é que um trecho inteiro do anúncio é direcionado aos pais desses alunos em potencial. Ao contrário das universidades tradicionais dos Estados Unidos, em especial aquelas que fazem parte da Ivy Leage, que vendem exclusividade e seletividade, a The Horowitz Andreessen Academy parte do princípio de que todos os jovens são especiais.

“Você sabe há anos que seu filho é excepcional. Você o viu realizar feitos que a maioria dos adultos não conseguiria, aprender por conta própria habilidades que ninguém lhe havia proposto e superar os limites de qualquer ambiente em que foi colocado. Você percebeu aquela centelha especial e sabe que ela precisa de um lugar para florescer”, diz o anúncio, que finaliza assim: “Você sempre teve razão sobre o quão especial seu filho é. Criamos a The Academy para provar isso”.

É uma inversão do modelo que sustenta o prestígio de universidades como Harvard e Stanford, em que o aluno é excepcional porque a instituição, comparando milhares de candidatos, escolheu justamente ele. A Academy dispensa esse teste e parte do princípio de que qualquer jovem pode ser excepcional, desde que tenha o treinamento adequado.

“Com operadores excepcionais como mentores, acesso à rede da a16z e ao lado de alguns dos jovens criadores mais excepcionais do planeta, eles estarão no ambiente mais otimizado para o seu tipo especial de magia”, alega a instituição.

Foco no networking

O campus fica em São Francisco, pensado como ponto de encontro para fundadores e “builders”. “Também acreditamos que o período pós-ensino médio é um momento crítico para o amadurecimento pessoal dos jovens — a vida social importa. Não estamos criando espaço apenas para conversas de filosofia até as 3 da manhã ou sessões matinais de matemática e ciências. Haverá jantares em família, clube do livro, noites de saída, visitas a museus, viagens de fim de semana e muito mais. A Academy será um lugar para criar amizades para a vida toda e construir uma comunidade que estará ao seu lado para sempre”, promete a instituição.

A rodada foi liderada pela própria a16z, e Marc Andreessen e Erik Torenberg entram para o conselho da Academy. Entre os investidores desse novo projeto também estão nomes como Adam D’Angelo (co-founder, Quora), Tobi Lütke (CEO, Shopify), Tony Xu (CEO, DoorDash), Fidji Simo (CEO of Applications, OpenAI), Garry Tan (CEO, Y Combinator), Joe Liemandt (Principal, Alpha School), e Shyam Sankar (CTO, Palantir).

Por trás da iniciativa está Gagan Biyani, cofundador da Udemy e da Maven, duas empresas de educação que também tiveram a a16z como investidora. Segundo ele, a Academy é “a próxima evolução” da visão que teve ao criar as duas startups: transformar o aprendizado em um processo contínuo, e não restrito à sala de aula tradicional.

Primeira turma gratuita

As inscrições já estão abertas para a primeira turma, batizada de Founding Class Fellowship, um programa de um ano que começa no outono (hemisfério norte) de 2027. Essa primeira leva será gratuita, sem cobrança de mensalidade, e vai priorizar alunos que estão terminando o ensino médio, embora também aceite universitários e candidatos internacionais.

Os selecionados terão acesso a mais de US$ 50 mil em créditos de computação e a um orçamento de US$ 5 mil para viagens e pesquisa, além da rede de contatos formada por mentores, parceiros e colegas.

Já para 2028, a Academy planeja lançar um programa de dois anos — esse, sim, pago, com mensalidade nos moldes de uma universidade privada de elite dos EUA. O programa ainda depende de aprovações regulatórias e não está com inscrições abertas.

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