| Mobile Time Latinoamérica | A modernização das antenas desponta como um dos principais desafios para que a América Latina aproveite o potencial das redes 5G. De acordo com a Ericsson, 60% das antenas instaladas na região têm sete anos de idade e não foram projetadas para atender às atuais exigências de capacidade, eficiência e desempenho das redes móveis.

Durante o Mobile Time Live sobre a evolução do 5G na América Latina, a companhia destacou que o crescimento contínuo do tráfego de dados e a chegada de novas tecnologias, como a inteligencia artificial, tornam necessária a atualização da infraestrutura. Embora a região tenha avançado na atribuição de espectro, ainda existe uma lacuna entre a disponibilidade desse recurso e a capacidade das redes de aproveitá-lo.

Segundo os dados do relatório da Ericsson sobre o 5G na América Latina, referentes a junho de 2025, a cobertura dessa tecnologia na região era de aproximadamente 30%, nível inferior ao de outras partes do mundo.

Para Paulo Bernardocki, diretor de soluções e tecnologia da Ericsson para a América do Sul, esse cenário evidencia a necessidade de continuar ampliando a cobertura e melhorar a qualidade das conexões para atender à demanda por serviços digitais.

Isso é especialmente importante porque o 5G será a tecnologia que impulsionará o crescimento das redes móveis nos próximos anos. Sua expansão, porém, não depende apenas da disponibilidade de espectro ou da instalação de novas estações, mas também da capacidade de modernizar a infraestrutura existente.

“Na América Latina, o tráfego vai crescer, e é necessário que as antenas estejam atualizadas e tenham capacidade suficiente”, afirmou Bernardocki.

A idade das antenas limita o potencial do 5G

Nesse contexto, um dos pontos centrais da apresentação foi o papel estratégico das antenas no desempenho das redes. À medida que o tráfego aumenta e os padrões de consumo mudam, a infraestrutura precisa se adaptar para oferecer mais capacidade, cobertura e eficiência energética.

Na avaliação de Rodrigo Goulart, vice-presidente de sistemas de antenas da Ericsson para as Américas, as antenas não devem mais ser consideradas equipamentos passivos da infraestrutura de telecomunicações, mas componentes estratégicos que precisam ser incluídos nas decisões de investimento das operadoras.

“A atualização desses equipamentos pode gerar melhorias relevantes”, afirmou. De acordo com os números apresentados, a modernização das antenas pode elevar o desempenho da rede em até 30%, ampliar a cobertura em até 36% e aumentar a capacidade de tráfego em até 50%.

Esses benefícios ganham importância em um cenário no qual os usuários demandam mais dados e os aplicativos incorporam funções cada vez mais exigentes. Além disso, a expansão da inteligência artificial, tanto nos serviços digitais quanto nos dispositivos móveis, está modificando os padrões de uso das redes.

Segundo Goulart, 43% dos usuários utilizam inteligência artificial em seus celulares, tendência que reforça a necessidade de contar com uma infraestrutura preparada para suportar novas aplicações e volumes maiores de tráfego.

Eficiência energética e retorno do investimento

Ao explicar como ampliar a eficiência, Ángel Rivera, CTO e diretor de soluções da Ericsson para o norte da América Latina e o Caribe, destacou que, além de aumentar a capacidade, a modernização das antenas pode contribuir para reduzir o consumo de energia por gigabyte transmitido.

“A eficiência energética e o uso mais eficiente do espectro se tornaram fatores relevantes para as operadoras, tanto por causa dos custos operacionais quanto de suas metas de sustentabilidade”, acrescentou.

A decisão de atualizar a infraestrutura também deve considerar o retorno sobre o investimento (ROI). Segundo Rivera, entre as variáveis que as operadoras podem avaliar estão a economia operacional direta, o crescimento esperado do tráfego, as melhorias na cobertura e na experiência do usuário e a possibilidade de adiar investimentos em novos equipamentos ou estações.

“A modernização pode representar uma alternativa para aproveitar melhor as redes existentes antes de realizar investimentos adicionais em infraestrutura”, afirmou. Ele ressaltou, porém, que a viabilidade de cada projeto dependerá das condições da rede, da demanda e dos benefícios que poderá gerar em cada mercado.

México, Brasil, Chile e Colômbia estão entre os mercados da região nos quais vários fatores que impulsionam essas decisões estão presentes: o crescimento contínuo do tráfego, a chegada de novas tecnologias, como o 5G, a necessidade de modernizar a infraestrutura quando isso oferece benefícios adicionais e as metas de redução das emissões de CO?.

O desafio de avançar para redes 5G independentes

Outro desafio para a evolução do 5G na América Latina é garantir a continuidade da cobertura. Embora algumas operadoras já tenham lançado redes 5G Standalone (SA), a expansão dessa arquitetura exige uma infraestrutura capaz de oferecer uma experiência consistente nas áreas atendidas.

Durante a apresentação, também foi apontado que as limitações de cobertura e a falta de continuidade das redes podem dificultar o aproveitamento dos recursos do 5G. Por isso, a evolução para arquiteturas independentes precisa ser acompanhada de investimentos que fortaleçam a infraestrutura e permitam ampliar gradualmente a disponibilidade do serviço.

No Brasil e no Chile, as operadoras já avançam na conversão de faixas de frequência utilizadas pelo LTE para o 5G, processo que faz parte da evolução tecnológica das redes móveis.

A segurança digital também está entre os desafios. As antenas e os componentes da infraestrutura podem se tornar alvos de ataques capazes de afetar o desempenho da rede. Por isso, seu projeto, sua avaliação e sua proteção ganham importância crescente.

Nesse campo, a Ericsson destacou que utiliza inteligência artificial, gêmeos digitais e simulações para avaliar o comportamento das antenas durante o desenvolvimento e testar seu desempenho antes da implementação.