A Emet Capital concluiu a captação do fundo Data Brasil Infra FIP (Fundo de Investimento em Participações) com R$ 120 milhões para o desenvolvimento imobiliário de data centers no Brasil. A gestora encerrou a rodada na terça-feira (3) junto a investidores estratégicos, com a B.Real Capital atuando como consultora.

O investimento total previsto nos três projetos mapeados chega a R$ 1 bilhão. O primeiro empreendimento será erguido em Santa Cruz, Rio de Janeiro, com previsão de conclusão até 2030. Terrenos em São Paulo e no Ceará estão em negociação para os outros dois projetos.

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Nova janela de captação prevista

Para ampliar os recursos do fundo, a Emet Capital planeja abrir uma nova janela de captação no primeiro trimestre de 2027, com meta de levantar mais R$ 100 milhões. A gestora estima outras três rodadas de captação no futuro.

O pipeline completo do fundo abrange nove projetos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Centro-Oeste e Nordeste. A capacidade total projetada é de 3,5 GW (gigawatts), com estimativa de R$ 2,5 bilhões em investimentos nos próximos três anos.

Data centers como ativos imobiliários

A tese de investimento da Emet Capital se apoia em uma mudança de percepção do mercado de capitais: o data center passou a ser tratado não como equipamento de tecnologia, mas como imóvel de infraestrutura crítica. Nesse modelo, as gestoras atuam como proprietárias e desenvolvedoras de terrenos estrategicamente localizados com acesso garantido a redes elétricas de alta potência, chamados de “powered lands“.

Provedores, hyperscalers e empresas de inteligência artificial (IA) entram na operação como usuários finais do ativo imobiliário, por meio de contratos de locação de longo prazo no modelo built-to-suit.

O diretor da Emet Capital, Raffael Faustino, afirma: “a grande chave de valor e oportunidade no mercado de data centers hoje está na infraestrutura de energia e na localização do terreno. A construção de uma nova subestação elétrica ou a obtenção de outorgas de conexão de alta capacidade pode levar mais de dois anos”. Para ele: “o data center vive hoje o mesmo movimento que observamos nos galpões logísticos classe A há uma década; pouca oferta qualificada para uma demanda estrondosa”.

Desafios para o setor no Brasil

O Brasil concentra cerca de 48% de toda a capacidade instalada de data centers na América Latina, segundo a consultoria imobiliária JLL. A posição de liderança regional, no entanto, convive com obstáculos estruturais.

“No Brasil, o crescimento encontra desafios adicionais, como as novas regras de conexão, restrição de disponibilidade de energia em regiões estratégicas e a necessidade de reduzir cada vez mais o prazo de implantação de novos projetos”, diz Alison Takano, diretor-executivo (CEO) da B.Real Capital.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), projetos do setor estimam que os investimentos em tecnologias digitais e infraestrutura no país podem movimentar até R$ 2 trilhões até 2029.

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