Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo, incluíram inteligência artificial (IA), data centers, digitalização do governo e inovação entre as propostas de seus programas para a Presidência da República. Os dois candidatos também defendem ampliar a relação entre universidades e empresas e usar tecnologia para modernizar serviços públicos, embora apresentem estratégias diferentes para o papel do Estado nesse processo.
O plano de Caiado, que concorre ao lado de Gilberto Kassab, apresenta um capítulo específico para ciência, tecnologia e inovação e propõe iniciativas em áreas como semicondutores, computação quântica, 6G e cibersegurança. O documento também prevê um programa nacional de Indústria 4.0 e IA.
Zema concentra parte das propostas tecnológicas nos capítulos de desenvolvimento econômico, gestão pública, educação superior e saúde. Entre as medidas estão atração de investimentos para data centers, digitalização dos serviços públicos, integração de bases governamentais e uso de IA na gestão das filas do Sistema Único de Saúde (SUS).
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Ronaldo Caiado (PSD)
O plano de governo de Caiado para 2027 a 2030 é dividido em 26 temas. Ciência, tecnologia e inovação aparecem como um eixo próprio do documento, com a proposta de transformar transformação digital e capacidade tecnológica em instrumentos de produtividade e soberania. O programa também prevê que a iniciativa privada seja o principal motor da economia, enquanto o Estado atuaria em áreas como infraestrutura, capital humano, regulação e estímulo à inovação.
Inteligência artificial. Caiado propõe uma legislação para IA baseada no uso, no risco e em danos concretos. O modelo prevê transparência, responsabilização e não discriminação, com supervisão dos reguladores de cada setor e tratamento proporcional para pesquisas e pequenas empresas. O plano também prevê aplicações de IA, robótica e sistemas autônomos em saúde, educação, agronegócio, segurança, Justiça, logística e gestão pública.
Data centers e infraestrutura computacional. O programa prevê um regime tributário estável para bens de capital e serviços relacionados a data centers. Os benefícios seriam associados a contrapartidas como uso de energia nova e renovável, eficiência hídrica, investimento na rede elétrica, qualificação profissional e reserva de capacidade computacional para universidades, pesquisadores e empresas brasileiras.
Cibersegurança e dados. Caiado propõe criar uma autoridade nacional de cibersegurança com independência técnica, orçamento e mandato próprios. Entre as atribuições estariam estabelecer padrões para infraestruturas críticas e regras para notificação de incidentes. O plano cita ainda autenticação forte, backups testados e proteção de sistemas de IA contra manipulação e envenenamento de dados. Para dados públicos, a proposta é organizar bases interoperáveis e documentadas e ampliar a disponibilidade de conteúdos e modelos em português.
Conectividade e 6G. O programa estabelece a chamada “conectividade significativa” como meta nacional. Entre as medidas estão ampliar fibra óptica e backhaul no interior e na Amazônia, acelerar infovias, utilizar satélites de baixa órbita como complemento e direcionar recursos do FUST para escolas, unidades de saúde e áreas rurais. O documento também propõe preparar o País para redes 6G.
Semicondutores, computação quântica e espaço. Caiado propõe desenvolver capacidade nacional em segmentos da cadeia de semicondutores nos quais o Brasil possa competir, com apoio de Finep e BNDES, além de participar de pesquisas e aplicações de computação quântica. Na área espacial, o plano prevê estimular satélites de observação, comunicação e defesa, consolidar Alcântara como espaçoporto e retomar o desenvolvimento de veículos lançadores.
Indústria 4.0. Outra proposta é criar um Programa Nacional de Indústria 4.0 e IA, com prioridade para pequenas e médias empresas. O plano prevê crédito e incentivos para aquisição de software, equipamentos e soluções de IA, além de vouchers para digitalização. Também menciona gêmeos digitais, manutenção preditiva, análise de dados, 5G, nuvem e cibersegurança de ambientes industriais.
Governo digital. O candidato propõe um centro de governo digital para coordenar ministérios e reguladores, além de utilizar identidade digital e a interoperabilidade do gov.br como infraestrutura comum entre União, estados e municípios. A digitalização também aparece em uma proposta mais ampla de compartilhar cadastros, tecnologia e dados para evitar que o cidadão tenha de fornecer ao Estado informações que já estejam em bases públicas. Plano de governo Caiado
Ciência e formação. O programa prevê execução plurianual do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), modernização da Lei do Bem e ampliação de crédito, subvenção e capital de risco. Também propõe fortalecer o ensino de ciência, matemática, computação e IA desde a educação básica, atrair pesquisadores estrangeiros e incentivar o retorno de brasileiros que trabalham no exterior.
Romeu Zema (Novo)
O plano de Zema, chamado “Plano Implacável”, distribui as propostas tecnológicas por diferentes áreas, incluindo desenvolvimento econômico, gestão pública, agronegócio, educação superior, ciência e tecnologia e saúde. Plano de governo Zema
A estratégia apresentada pelo documento enfatiza maior participação da iniciativa privada e redução de barreiras regulatórias. Na área de inovação, o programa defende aproximar universidades e empresas, direcionar recursos públicos para pesquisas com aplicação prática e atrair investimentos estrangeiros para setores considerados de fronteira tecnológica.
Inteligência artificial e regulação. Zema propõe evitar uma regulamentação “precoce e ampla” da IA. O plano defende regras pontuais quando forem identificados danos concretos, com o objetivo declarado de preservar segurança jurídica e atrair investimentos para a cadeia da tecnologia.
Data centers. O programa inclui os data centers entre os setores que deveriam receber investimentos internacionais. A proposta é utilizar disponibilidade de energia, recursos hídricos e a posição geopolítica brasileira como vantagens para atrair projetos, acompanhadas de estabilidade regulatória, redução de burocracia e formação de mão de obra.
Governo digital. Zema propõe ampliar a digitalização dos serviços públicos para reduzir filas e deslocamentos e estabelecer prazos públicos para a entrega dos serviços. O programa também prevê padronizar sistemas e integrar bases de União, estados e municípios, para que o cidadão forneça seus dados apenas uma vez ao poder público.
Ciência, universidades e empresas. O plano propõe transferir o ensino superior do Ministério da Educação para o Ministério de Ciência e Tecnologia, reunindo ensino superior, financiamento à pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Também prevê ampliar vagas e bolsas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática e facilitar a criação de centros privados de pesquisa e desenvolvimento dentro de universidades públicas.
Zema também propõe vincular bolsas de mestrado e doutorado à relevância científica ou à aplicação prática das pesquisas e ampliar a divulgação dos resultados de recursos públicos destinados à inovação.
Formação tecnológica. O programa prevê cursos técnicos e superiores voltados a setores de fronteira tecnológica em parceria com empresas e simplificação de vistos e reconhecimento de qualificações para especialistas estrangeiros. Na educação básica, a proposta de revisão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) inclui maior prioridade para raciocínio lógico, ciências e competências digitais.
Saúde digital e IA. Na saúde, Zema propõe criar um registro nacional com o histórico clínico dos pacientes, controlado pelo cidadão, e integrar sistemas públicos e privados. O plano prevê ampliar a telemedicina e levar internet de qualidade às unidades públicas de saúde. Também cita sistemas de IA para administrar filas e direcionar pacientes ao serviço considerado mais adequado.
Agro e biotecnologia. O candidato propõe ampliar banda larga e 5G no campo e aproximar centros de pesquisa brasileiros de instituições internacionais. O programa também defende direcionar investimentos públicos em pesquisa para complementar recursos privados em biotecnologia agrícola, incluindo edição genética de sementes e bioinsumos.
Capital para inovação. O plano propõe mudanças nas regras de venture capital, fundos, garantias, vesting e equity para facilitar investimentos de risco em setores tecnológicos. Também prevê utilizar concorrência e abertura econômica como instrumentos para estimular inovação.
Esta reportagem integra um especial do IT Forum sobre as propostas de tecnologia dos presidenciáveis nas eleições de 2026.
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