B3 Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo (Foto: Ilustração de Germano Lüders/InfoMoney)
" data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2021/11/DSC_2817.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />As sete ações mais recomendadas por bancos e corretoras para outubro, mês das eleições, acumulam perda média de 2,39% até segunda-feira (26), menos da metade da queda de 5,22% do Ibovespa no período. O desempenho reflete a divisão das carteiras entre exportadoras e empresas ligadas ao mercado doméstico, que foram premiadas em momentos opostos do mês.
As domésticas estiveram entre as maiores altas do rali que se seguiu ao primeiro turno, enquanto as exportadoras amorteceram o tombo provocado pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Petrobras (PETR4) e Gerdau (GGBR4) são as únicas do grupo com valorização no mês, de 9,69% e 4,86%, respectivamente. Na outra ponta, Rede D’Or (RDOR3), Vale (VALE3) e Sabesp (SBSP3) recuam entre 7,9% e 8,5%, segundo dados da Economatica com base no fechamento de segunda.
No início do mês, as casas dividiram as indicações entre empresas com receita em dólar, que tendem a se defender quando o câmbio sobe, e negócios domésticos, beneficiados pela queda dos juros longos. Como parte das carteiras só pode ser alterada uma vez por mês, a composição de outubro já foi desenhada para atravessar também o segundo turno. O levantamento considerou as carteiras de dez instituições, e Petrobras, Sabesp, Embraer e Itaú dividiram a liderança, com sete indicações cada.
| Ação | Recomendações | Até 23/10 (%) | Dia 26/10 (%) | Outubro (%) | Ano (%) |
|---|---|---|---|---|---|
| Petrobras (PETR4) | 7 | 19,46 | -8,18 | 9,69 | 85,89 |
| Sabesp (SBSP3) | 7 | 16,59 | -20,98 | -7,87 | -4,61 |
| Embraer (EMBJ3) | 7 | -9,21 | 8,89 | -1,14 | 9,22 |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | 7 | 9,12 | -13,66 | -5,79 | 8,60 |
| Vale (VALE3) | 6 | -11,46 | 4,01 | -7,91 | -8,02 |
| Rede D’Or (RDOR3) | 5 | 14,21 | -19,92 | -8,54 | -12,52 |
| Gerdau (GGBR4) | 5 | 3,91 | 0,91 | 4,86 | 27,73 |
| Ibovespa | 10,06 | -13,88 | -5,22 | 9,61 |
Até a sexta-feira (23), última sessão antes do segundo turno, o Ibovespa acumulava alta de 10,06% em outubro. O movimento ganhou força depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente, resultado que levou o índice a um salto de 7,7% no dia 5.
A virada nas urnas inverteu o movimento. Na segunda, o Ibovespa despencou 13,88%, aos 176.608 pontos, e acionou o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020, enquanto o dólar subiu 8,25%, a R$ 5,40.
“O mercado estava posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro. Agora, além de desmontar essa aposta, passou a cobrar um prêmio adicional”, diz Bruno Corano, economista e CEO do Corano Capital.
Para Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, a reeleição frustrou as expectativas que sustentaram o rali de outubro. “O que determinará a extensão do movimento será a percepção sobre a política econômica do quarto mandato”, afirma.
Domésticas devolvem o rali
As apostas no ciclo doméstico estiveram entre as que mais subiram até sexta e foram as que mais caíram na segunda. A Sabesp acumulava alta de 16,59% no mês antes da votação e despencou 20,98% no primeiro pregão após o resultado, a maior queda do grupo. A Rede D’Or seguiu trajetória parecida, com ganho de 14,21% até sexta e recuo de 19,92% na segunda, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) passou de alta de 9,12% para queda de 13,66% no dia.
“Só devolve o prêmio eleitoral desse mês”, aponta Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, sobre a queda da Bolsa. No caso da Sabesp, o Bradesco BBI reduziu o preço-alvo de R$ 40 para R$ 35 depois de elevar sua premissa de juros reais de longo prazo, mas manteve a recomendação e destacou que a estrutura regulatória paulista reduz a dependência da companhia em relação ao cenário macroeconômico.
A Petrobras é o caso à parte. A petroleira, que em uma das carteiras era tratada como proteção cambial, chegou a subir 19,46% no mês até sexta e caiu 8,18% na segunda, em um dia em que o Citi apontava preocupação dos investidores com a governança das estatais. A presidente da empresa, Magda Chambriard, classificou a queda como especulativa. Mesmo assim, a ação segue como a de melhor desempenho do grupo em outubro e acumula alta de 85,89% no ano.
Exportadoras salvam a segunda, mas não o mês
Do lado das exportadoras, a alta do dólar ajudou no primeiro pregão após a eleição, mas não compensou as perdas acumuladas durante o rali. A Embraer (EMBJ3) caía 9,21% no mês até sexta e subiu 8,89% na segunda, enquanto a Vale passou de queda de 11,46% para alta de 4,01% no dia. A mineradora já vinha pressionada pelo minério de ferro, e o UBS BB avalia que a ação ainda não reflete plenamente a fase de excesso de oferta no mercado global.
A Gerdau foi a única do grupo a subir nas duas fases, com alta de 3,91% até sexta e de 0,91% na segunda, apoiada pela operação nos Estados Unidos. Luise Coutinho, head de Produtos e Alocação da HCI Advisors, lembra que é preciso olhar também custos e dívidas em moeda estrangeira. “Ainda podem existir oportunidades, desde que a valorização do dólar não esteja totalmente incorporada ao preço.”
E agora?
Para o Citi, a pressão sobre a Bolsa deve continuar no curto prazo, mas algumas empresas podem ter desempenho relativo superior. Embraer e Gerdau estão entre as dez ações que o banco indica para o novo cenário.
Os especialistas ouvidos pelo InfoMoney desaconselham movimentos bruscos. Vinícius Romano, coordenador de Investimentos da Suno Consultora, vê espaço para aportes em empresas de qualidade, com oportunidades no setor financeiro e no elétrico, enquanto Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, recomenda entrar aos poucos. O próximo teste vem com o Copom, que volta a se reunir em 3 e 4 de novembro.
The post Duas ações “salvam” carteiras recomendadas para atravessar a eleição appeared first on InfoMoney.

