*Por Mauricio Prado, General Manager Latin America na monday.com
A inteligência artificial está entrando em uma nova etapa nas empresas: de ferramenta que apoia tarefas para tecnologia capaz de executar etapas do trabalho. Com agentes de IA que interpretam objetivos, organizam informações e realizam ações dentro de fluxos definidos, profissionais de diferentes áreas começam a criar suas próprias soluções sem depender exclusivamente de equipes técnicas. A principal mudança, portanto, não está apenas no que a IA consegue fazer, mas em quem passa a ter condições de colocá-la para trabalhar em contextos reais, próximos das decisões que movem cada negócio.
Por que a IA está deixando de ser restrita a especialistas?
Durante décadas, a adoção de novas tecnologias dentro das empresas esteve concentrada nas mãos de especialistas. Da implementação de softwares corporativos à gestão de infraestrutura em nuvem, quase toda transformação digital dependia de equipes técnicas para acontecer o que frequentemente aumentava prazos, custos e filas de implementação.
Mas, com o passar dos anos, essa lógica vem mudando. A discussão já não é mais se a inteligência artificial fará parte das empresas. Em muitos casos, ela já está presente. A questão agora é quem conseguirá colocá-la nas mãos de mais pessoas de forma segura, acessível e produtiva.
Nos últimos meses, o mercado de tecnologia passou a lançar ferramentas que permitem criar agentes de inteligência artificial a partir de comandos em linguagem natural, tornando sua criação mais intuitiva para quem domina o processo. Ao invés de programar ou configurar sistemas complexos, o usuário descreve o que deseja que o agente faça e a plataforma se encarrega de estruturar a automação.
Esse movimento representa uma mudança importante: pela primeira vez, profissionais que conhecem profundamente os desafios do dia a dia podem criar soluções baseadas em IA sem depender de conhecimento técnico avançado e transformar rapidamente sua experiência prática em fluxos funcionais.
Como a democratização da IA pode aumentar a produtividade?
Essa democratização da tecnologia não é um fenômeno novo. As planilhas eletrônicas permitiram que profissionais de diversas áreas realizassem análises antes restritas a especialistas. Plataformas no-code reduziram a dependência de desenvolvedores para a criação de aplicações mais básicas. Os agentes de IA estão seguindo o mesmo caminho ao ampliar também o alcance das automações em cada equipe e o salto é ainda maior.
A questão não é apenas tecnológica. Trata-se de aproximar a capacidade de criar soluções das pessoas que convivem diariamente com os desafios do negócio. É essa a aposta que fizemos na monday.com: reconstruímos a nossa plataforma para nos tornarmos uma plataforma de IA para o trabalho, onde as pessoas e os agentes de IA trabalham lado a lado para realizar o trabalho e não apenas para fazer o seu gerenciamento. No estudo AI at Work: From Vision to Value, da monday.com com a Nielsen, é justamente esse pragmatismo que aparece com mais força: automatizar tarefas repetitivas (49%), melhorar a qualidade do trabalho (56%) e ganhar velocidade (59%), deixando espaço para que as equipes se concentrem no que realmente exige julgamento humano.
O que essa mudança significa para as empresas?
Com os agentes de IA, nós deixamos de utilizar ferramentas como um suporte e passamos a dar autonomia para que a IA faça o trabalho. Os impactos já podem ser percebidos em diferentes áreas das organizações. Em uma área de marketing, por exemplo, um profissional pode automatizar a organização de campanhas ou a geração de relatórios. Em recursos humanos, os agentes podem auxiliar no acompanhamento de processos seletivos ou na consolidação de informações. Em vendas, ajudar a identificar oportunidades e priorizar contatos. E, cada vez mais, estes agentes não se limitam a meramente prestar assistência, trabalhando ao lado das pessoas e sob a sua orientação, 24 horas por dia. A barreira técnica que há muito atravancava já não existe.
Historicamente, os maiores saltos de produtividade ocorreram quando uma tecnologia deixou de ser restrita a especialistas e passou a fazer parte da rotina de milhões de pessoas. Quanto mais pessoas puderem experimentar e criar soluções baseadas em IA, maior tende a ser o potencial de inovação dentro das organizações.
Talvez a principal transformação em curso seja justamente esta: o avanço mais relevante da inteligência artificial pode estar não somente na criação de modelos cada vez mais sofisticados, mas na capacidade de colocar esse poder nas mãos de qualquer profissional. Afinal, o verdadeiro valor de uma plataforma não reside no que ela faz, mas sim no que permite que as pessoas façam. Quando a tecnologia se torna acessível, ela deixa de ser uma especialidade e passa a fazer parte do cotidiano com impacto direto na colaboração, na agilidade e nos resultados.
E, historicamente, é nesse momento que as grandes mudanças começam a acontecer e ganhar escala rapidamente.
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