A forte correção da Bolsa após as eleições presidenciais começa a dar espaço a movimentos de recuperação. Na quarta-feira (4), Cyrela (CYRE3), CPFL Energia (CPFE3) e Itaú (ITUB4) avançaram 6,14%, 2,45% e 3,17%, respectivamente, após semanas de pressão vendedora.

Para Gilberto Coelho, o Giba, analista técnico da XP Investimentos, as três ações apresentam condições que podem favorecer a continuidade dos repiques. Após testarem suportes relevantes, os papéis superaram referências técnicas que abriram espaço para novos objetivos de alta, embora a recuperação ainda exija confirmação.

O movimento acompanhou a reação do Ibovespa, que, após seis sessões consecutivas de queda, encerrou a quarta-feira em alta de 1,23%, aos 167.563 pontos. O índice interrompeu uma sequência negativa que o levou a níveis observados no início do ano, ainda distantes da máxima histórica superior a 209 mil pontos, registrada no início de outubro.

Ibovespa: suporte nos 165 mil pontos pode favorecer repique até 180 mil

Ibovespa encontra suporte na região dos 165 mil pontos após forte correção, enquanto o IFR apresenta sinal de reação na região de sobrevenda. Análise técnica de Gilberto Coelho (Giba), da XP Investimentos.

Após a forte correção das últimas sessões, o Ibovespa encontrou suporte na região dos 165.000 pontos, segundo Giba. Apesar da reação recente, o índice ainda apresenta uma sequência de mínimas descendentes e precisa confirmar uma melhora do cenário técnico.

Para o analista, um avanço acima dos 168.000 pontos poderá favorecer um repique de alta, com objetivos nas resistências de 173.500 e 180.000 pontos, respectivamente.

Por outro lado, um fechamento abaixo dos 164.400 pontos retomaria o sinal negativo, abrindo espaço para testes dos suportes em 160.000 e 155.000 pontos.

O Índice de Força Relativa (IFR) apresentou inclinação para cima, ainda na região de sobrevenda, sinal que, na avaliação de Giba, reforça a possibilidade de recuperação no curto prazo.

Cyrela (CYRE3): ação pode buscar R$ 23,30 após forte queda

Cyrela recua de R$ 35,70 para perto de R$ 16,20 e testa região de suporte e canal de alta, enquanto o IFR em sobrevenda apresenta sinais de recuperação. Fonte: Gilberto Coelho (Giba), XP Investimentos.

A Cyrela (CYRE3) recuou de R$ 35,70 para perto de R$ 16,20, passando a testar um suporte próximo dos R$ 16 e uma referência associada a um canal de alta, segundo Giba.

O Índice de Força Relativa (IFR) entrou em região de sobrevenda e começou a apontar para cima. A ação também superou a máxima anterior em R$ 17,01, referência que, combinada ao comportamento do indicador, favorece a possibilidade de continuidade do repique.

Nesse cenário, CYRE3 poderá buscar inicialmente R$ 19,30 e, posteriormente, R$ 23,30, objetivos apontados pelo analista para uma eventual recuperação.

Por outro lado, a perda dos R$ 16,25 enfraqueceria o sinal positivo, colocando em dúvida a continuidade do movimento de alta.

CPFL Energia (CPFE3): após reação, ação pode buscar R$ 47,60

CPFL Energia recua de R$ 52,80 para perto de R$ 40 e encontra suporte importante; superação de R$ 42,32 pode favorecer repique até R$ 45 ou R$ 47,60. Fonte: Gilberto Coelho (Giba), XP Investimentos.

As ações da CPFL Energia (CPFE3) recuaram de aproximadamente R$ 52,80 para a região dos R$ 40, onde encontraram um suporte importante, segundo Giba.

Após superar a máxima anterior em R$ 42,32, a ação passou a ter como próximos objetivos técnicos R$ 45 e R$ 47,60, níveis apontados pelo analista para uma eventual continuidade da recuperação.

Esses patamares estão próximos das médias móveis de 21 e 200 dias, utilizadas como referências para acompanhar o movimento.

Por outro lado, a perda do suporte em R$ 40 enfraqueceria o sinal positivo, colocando em dúvida a continuidade da alta.

Itaú (ITUB4): após reação, ação pode buscar R$ 42,50 ou R$ 45

Itaú recua de R$ 50,40 para perto de R$ 37 e encontra suporte relevante; após superar R$ 38,77, papel pode buscar R$ 42,50 ou R$ 45. Fonte: Gilberto Coelho (Giba), XP Investimentos.

As ações preferenciais do Itaú (ITUB4) passaram por forte correção desde o patamar de R$ 50,40, aproximando-se de uma região de suporte próxima dos R$ 37, segundo Giba.

A reação ganhou força após o papel superar a máxima anterior em R$ 38,77, sinalizando a possibilidade de continuidade do repique técnico.

Nesse cenário, ITUB4 poderá buscar inicialmente R$ 42,50 e, posteriormente, R$ 45, objetivos associados às médias móveis de 21 e 200 dias.

Por outro lado, a perda dos R$ 37,25 enfraqueceria o sinal de alta, colocando em risco a continuidade da recuperação.

Klabin e Yduqs: análises anteriores já apontavam possibilidade de reação

Em análise publicada na quarta-feira (4), Giba havia apontado a possibilidade de repiques em Klabin (KLBN11) e Yduqs (YDUQ3). Os dois papéis avançaram naquele pregão.

A Klabin chegou a R$ 18,29, superando o primeiro objetivo de R$ 18 indicado pelo analista. Já a Yduqs alcançou R$ 9,37, acima da referência de R$ 9,01 para uma reação. Apesar dos movimentos positivos, objetivos mais elevados ainda dependem da continuidade da força compradora.

Antes disso, em 30 de outubro, Giba já havia destacado a proximidade de suportes importantes em Itaú (ITUB3) e Alpargatas (ALPA4), em meio à forte pressão sobre as ações brasileiras.

O que pode sustentar a recuperação das ações?

As análises de Giba indicam que, mesmo após quedas expressivas, ações próximas de suportes relevantes podem apresentar repiques técnicos, movimentos de alta que não representam necessariamente uma reversão da tendência principal. A continuidade dessas recuperações depende da força compradora.

Em um mercado ainda marcado pela volatilidade, a superação de resistências e a preservação dos suportes são fundamentais para avaliar a força da recuperação. A perda dos níveis de invalidação, por outro lado, pode enfraquecer os sinais positivos e abrir espaço para novas quedas.

(Rodrigo Paz é analista técnico CNPI-T)

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