Plataforma de investimentos | Crédito: Canva

Quatro fintechs latino-americanas estão entre as 100 mais promissoras em 2026, segundo a CB Insights, plataforma especializada em inteligência de mercado. A lista inclui a brasileira Pluggy, as mexicanas Clara e Aviva e a argentina Tapi.

O levantamento Fintech 100: The most promising fintech startups of 2026, divulgado pela consultoria, é sua nona edição anual e reúne empresas que atuam em diferentes segmentos do mercado financeiro, da concessão de crédito a pagamentos internacionais, serviços bancários para empresas e infraestrutura de conexão financeira.

As quatro latino-americanas aparecem em categorias distintas do mapa elaborado pela CB Insights. A Aviva está em crédito ao consumidor; a Tapi, em pagamentos internacionais; a Clara, em serviços bancários para empresas; e a Pluggy, em finanças integradas (embedded finance).

A seleção ocorre em um momento no qual parte das fintechs mais promissoras busca resolver problemas de infraestrutura e operação das instituições financeiras, em vez de se concentrar apenas em produtos voltados diretamente ao consumidor final.

Sobre as selecionadas

A mexicana Aviva aparece na categoria de crédito ao consumidor (consumer lending). A empresa divide espaço com outras fintechs que atuam nesse segmento, como Firenze, Kastle, Salmon e tidalwave.

Fundada em 2022, a Aviva combina atendimento por videochamada com IA e uma rede de quiosques físicos para conceder crédito aos mais de 50 milhões de mexicanos adultos com acesso limitado ao sistema bancário. A companhia conclui sua rodada Série A em julho de 2026, no valor de US$ 18 milhões. A operação foi liderada pela Valor Capital Group e contou com BID Lab, Endeavor Forward e a brasileira Caravela Capital.

Já a argentina Tapi integra a categoria de pagamentos internacionais (cross-border payments), ao lado de empresas como Fun, helloclever, LemFi, Mesh, Ryft e Xflow. O segmento reúne negócios relacionados à movimentação de dinheiro entre diferentes mercados.

A Clara aparece na categoria de business banking, com uma plataforma de gestão financeira inteligente para empresas. A fintech foi fundada no México em abril de 2020 e transferiu sua sede para o Brasil em agosto de 2023, após obter autorização do Banco Central para operar como Instituição de Pagamento (IP).

Em junho de 2026, a Clara anunciou o Clara Global, solução que permite a empresas latino-americanas gerenciar despesas em diferentes países e moedas. A ferramenta é a primeira da fintech de gestão de gastos corporativos, que tem Brasil, México e Colômbia como mercados-chave, desenvolvida integralmente com IA.

A brasileira Pluggy, por sua vez, está entre as selecionadas em finanças integradas. A categoria reúne empresas que conectam serviços financeiros a outras plataformas e operações comerciais. Entre as demais integrantes estão Bastion, Crossmint, Infinant, Koxa e Stitch.

Especializada em infraestrutura de Open Finance, a Pluggy levantou uma rodada Série A em agosto de 2026, no valor de US$ 3,5 milhões. O investimento foi liderado pela DGF, com novos aportes de Y Combinator e Brazil Venture Capital. Com os recursos, a fintech prevê desenvolver novos produtos e acelerar o crescimento da plataforma, que quer triplicar seu faturamento em relação ao ano anterior.

Blockchain, IA e regulação

Além de mapear as empresas, a CB Insights identificou três tendências entre as selecionadas neste ano.

A primeira é a expansão do uso de blockchain em serviços financeiros tradicionais. Enquanto a edição de 2025 concentrava a maioria das fintechs que utilizavam a tecnologia em categorias específicas de ativos digitais, a lista de 2026 inclui empresas que aplicam blockchain a pagamentos internacionais, serviços bancários para empresas e concessão de crédito empresarial.

A segunda tendência é o uso de dados próprios das instituições financeiras para desenvolver aplicações de inteligência artificial. Segundo o relatório, registros de transações, históricos de operações e documentos internos podem ajudar a tornar essas ferramentas mais úteis para bancos e outras empresas do setor.

A terceira é a transformação das exigências regulatórias em produtos. A CB Insights destaca fintechs que incorporam regras e requisitos de diferentes mercados às suas plataformas, permitindo que clientes operem em determinadas jurisdições ou ofereçam serviços que não conseguiriam disponibilizar por conta própria.

Metodologia

O relatório da CB Insights distribui as 100 empresas em 21 categorias, agrupadas em seis grandes segmentos: finanças ao consumidor, pagamentos, finanças empresariais, mercados de capitais e gestão de ativos, operações de serviços financeiros e conectividade.

Para montar a lista, analistas da CB Insights analisaram mais de 70 mil fintechs, que vão de startups em estágio pré-seed até companhias na Série C. A metodologia considerou seis critérios principais: atividade de investimentos, parcerias com o setor, força dos investidores, ritmo de contratações, receita e as pontuações preditivas desenvolvidas pela própria consultoria.

Entre essas métricas estão o Mosaic Score, utilizado para avaliar o potencial de sucesso das empresas, e o Commercial Maturity, voltado à tração comercial. A análise também incorporou entrevistas com executivos enviadas diretamente pelas startups à consultoria.

Empresas que já passaram por uma saída de investimento, como aquisições ou outras operações de exit, e fintechs em estágios mais avançados foram excluídas da seleção.

Os números da lista

As 100 fintechs selecionadas captaram, juntas, US$ 10,9 bilhões em investimentos de capital, dos quais mais de US$ 3,2 bilhões foram levantados ao longo de 2026 até a data de referência do relatório, em 5 de outubro.

Elas acumularam mais de 330 parcerias desde 2025, incluindo acordos com grandes empresas do setor financeiro, como JPMorgan Chase, Mastercard e Nasdaq.

Do total, 51 são startups em estágio inicial, das quais 13 estão na fase seed.

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