| Publicada originalmente no Teletime | As demandas do setor automotivo por conectividade devem acelerar parcerias entre operadoras móveis e de satélites, indicaram executivos nesta quinta-feira, 5, durante o Movecomm 2026, evento organizado por Mobile Time e Teletime, em São Paulo.

Uma empresa que já tem avançado nesse sentido é a Deutsche Telekom, que atua como operadora móvel virtual (MVNO) no Brasil. A companhia conta com 20 milhões de carros conectados no mundo, sendo 300 mil no território brasileiro. Na Alemanha, já tem feito testes alternando rede móvel e conectividade não terrestre (NTN) em veículos conectados.

De acordo com Daniel Sartori Rodrigues, head de Novos Negócios da Deutsche Telekom no Brasil, o segmento mais vocal em reclamações por cobertura é o de transporte de cargas, já que trafegam muito em estradas. A expectativa é de que o avanço da conectividade via satélite e do serviço de comunicação direta com dispositivos (direct to device, ou D2D) favoreço setores como logística e agronegócio.

“Hoje, quando estamos homologando uma solução LTE em um SIM card local, o cliente não vê a hora de ter o NTN funcionando – 80% dos pedidos são relacionados ao agro”, apontou Rodrigues.

Victor Zanin, diretor comercial para a América Latina da Iridium, reforçou que o agronegócio tem muito a se beneficiar da conectividade satelital, mas salientou que é preciso esclarecer aos produtores rurais como o serviço funciona. Ele lembrou que cerca de 80% dos estabelecimento agropecuários no Brasil são classificados como familiares.

“A agricultura familiar movimenta 550 mil tratores antigos que precisam de um retrofit de tecnologia. Mas não adiante eu bater na porta do agricultor. É papel do integrador desenvolver a tecnologia, educar o agricultor e usar a minha conectividade”, destacou.

Raffael Malta, head de Pré-Vendas da Hughes, afirmou que há uma “necessidade de integração” entre as redes móveis e satelitais para ampliação da cobertura de sinal. Ele lembrou que, na atualidade, as prestadoras de serviços via satélite estão adaptando os seus negócios para operar sistemas multiórbita. O próximo passo é integrar as constelações às redes móveis nos padrões previstos pelo 3GPP.

“A ideia é que isso passe a fluir de maneira integrada e esse papel são as empresas de satélites que vão exercer”, pontuou o executivo da Hughes.

Conectividade embarcada

Ricardo Goto, gerente sênior de Desenvolvimento de Negócios da BMW, comentou que os primeiros carros da montadora com conectividade foram lançados em 1998 e, desde 2004, já saem de fábrica com chips de telefonia móvel. Já há, inclusive, veículos conectados com eSIM.

Atualmente, os veículos da marca contam com diversos recursos que dependem de conexão à rede de Internet, como auxílio para estacionar, chamada de emergência em caso de acidente, atualização remota de software e chave virtual acionada com o celular.

“A complementariedade de rede móvel com satélite, para nós, é excelente. É interessante que o cliente tenha a mesma experiência com o veículo onde quer que esteja”, resumiu Goto.