Juan Pablo Pereira, CEO da Zapia (Imagem: Divulgação)

Há um ano, o WhatsApp dava um susto nos fundadores de startups que utilizavam o aplicativo como base de suas soluções ao anunciar mudanças nos termos de uso, que baniam chatbots de inteligência artificial de uso geral da sua API Business.

A medida levou empresas como a uruguaia Zapia a recorrerem ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e, desde então, a startup mudou completamente sua estratégia: deixou de operar diretamente no WhatsApp, fortaleceu seu aplicativo próprio e, agora, chega a mais de 8 milhões de usuários. Apesar de toda a polêmica, Juan Pablo Pereira, CEO da startup, afirma ao Startups que hoje “a relação com a Meta é muito boa e temos uma parceria comercial muito importante”.

“Temos uma divergência nesse ponto específico: a falta de permissões para operar com as APIs do WhatsApp Business; por isso, em determinado momento, recorremos às autoridades para arbitrar essa questão. No entanto, essa divergência comercial não anula o relacionamento. Acompanhamos de perto o caso no Cade, trabalhando com um escritório brasileiro, e ele chegará a uma resolução em algum momento”, revela o executivo.

Ou seja, a briga regulatória continua, mas o negócio seguiu em frente. O espanto inicial parece ter se tornado uma grande oportunidade de crescimento para a Zapia. “Quando anunciamos a mudança, o WhatsApp representava mais de 90% do uso. Hoje, nosso aplicativo concentra 100%”, comenta Roger Dimant, VP de Marketing da startup.

A virada começou em abril, quando a empresa lançou seu aplicativo próprio, inicialmente chamado Zapia Max e que hoje leva apenas o nome Zapia. Apesar da migração, o WhatsApp não desapareceu completamente da estratégia da startup.

A Zapia deixou de funcionar diretamente dentro do aplicativo, mas mantém um conector que permite ao usuário automatizar tarefas, resumir e transcrever conversas. Também é possível acionar a assistente dentro de qualquer conversa ao mencioná-la com o comando “@zapia”.

A diferença é que o WhatsApp deixou de ser a “casa da Zapia” para virar apenas mais uma das ferramentas às quais ela pode se conectar. A mudança também alterou a lógica do produto, já que, em vez de apenas conversar com uma IA, a proposta agora é fazer com que ela execute tarefas no mundo real, desde que tenha autorização do usuário.

Na prática, a assistente pode, por exemplo, preparar um resumo matinal com informações do Calendar, Gmail e WhatsApp e enviá-lo diariamente no horário definido pelo usuário. Também consegue cotar e negociar com diferentes fornecedores um produto ou serviço e organizar automaticamente informações recebidas por WhatsApp, Gmail ou Drive (como comprovantes de pagamento) em uma planilha de controle de custos.

Outra novidade é o Radar, que monitora proativamente pendências, vencimentos e sugere ações para o usuário. A startup também ampliou as capacidades de navegação na web para realizar tarefas em sites. “A Zapia de hoje é extremamente mais poderosa do que a do início do ano. O usuário pode resolver e automatizar qualquer tarefa da sua vida profissional ou pessoal com uma mensagem ou um áudio”, ressalta o VP de Marketing.

Equipe também cresceu

Quando anunciou a rodada de US$ 7 milhões com a Prosus Ventures, em março, a Zapia tinha 18 funcionários. Agora, são 28, com contratações concentradas principalmente nas áreas de produto, tecnologia e marketing.

O aporte elevou o total captado pela startup para US$ 19,3 milhões. O dinheiro vem sendo usado para ampliar a equipe, acelerar o desenvolvimento do produto e marketing para atrair novos usuários.

Falando neles, a maioria dos usuários continua na versão gratuita da Zapia, considerada pela empresa “superpoderosa” para atender grande parte da base. Há, porém, planos pagos para quem quer ampliar o nível de automação e ter acesso a modelos mais avançados. O Pro custa US$ 10 por mês, enquanto o Ultra chega a US$ 100.

Empresa uruguaia, mas com “coração brasileiro”

Mesmo com a Zapia sendo uma empresa de origem uruguaia, o Brasil continua sendo seu principal mercado, respondendo por 30% da base de usuários. México e Argentina aparecem na sequência.

A empresa opera atualmente em toda a América Latina, mas começou a ampliar sua presença para fora da região. A Zapia chegou oficialmente à Europa há cerca de seis semanas, mercado que passa a dividir espaço com a América Latina nas prioridades da companhia. Até os próximos 12 meses, a estratégia é de continuar crescendo nessas duas regiões.

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