A inteligência artificial está começando a mudar não apenas a forma como as pessoas pesquisam produtos, mas também como compram e pagam por eles. Com o chamado “comércio agêntico”, consumidores poderão delegar a agentes de IA etapas que hoje exigem navegação por sites, comparação de preços e preenchimento de dados no checkout.
Em entrevista ao Podcast MVP, realizado pelo Startups, Felipe Brandão, Head Comercial da Zoop, falou sobre o avanço desse modelo, os desafios de segurança e as mudanças que ele pode provocar no varejo. Segundo o executivo, um estudo da McKinsey citado na conversa estima que o volume bruto de mercadorias (GMV, na sigla em inglês) transacionado por meio do comércio agêntico pode chegar de US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões até 2030.
“Quando você fala de US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões em quatro anos, é muito dinheiro. A gente tem uma expectativa grande para esse mercado, tanto que temos investido bastante e colocado esforço enquanto empresa”, revela durante o episódio. “Mas seguimos o modelo do iFood, começamos com algo em que acreditamos, testamos dentro de casa, entendemos se faz sentido, se funciona bem e se é escalável, para então transformar em um produto”.
O Head Comercial da Zoop ainda opina que o comércio agêntico é uma evolução natural do e-commerce. Primeiro, o consumidor pesquisava em buscadores e entrava em sites e marketplaces. Depois, passou a usar ferramentas como ChatGPT e Claude para comparar produtos e pedir recomendações. “Hoje é muito raro eu ir ao Google fazer uma pesquisa de produto”, afirma.
A proposta é permitir que agentes de inteligência artificial pesquisem opções, comparem produtos e conduzam uma compra a partir das preferências e instruções do consumidor. Em alguns casos, o processo poderá incluir o pagamento automático, sem que o usuário precise acessar diferentes plataformas ou preencher formulários.
A implementação também depende das características de cada empresa, sendo possível apenas integrar a infraestrutura de pagamentos da Zoop à jornada existente. Em outros casos, pode ser necessário desenvolver uma experiência conversacional.
“Muitas vezes, vou me conectar com uma empresa que já tem um agente conversacional, talvez no WhatsApp. Nesse caso, posso conectar minhas APIs apenas à etapa final de pagamento. Em outros casos, o parceiro ainda não tem um agente conversacional e quer implementar essa solução no aplicativo. Então, depende muito da infraestrutura de cada parceiro”, aponta.
A popularização dos agentes de IA também levanta dúvidas sobre o futuro dos sites, marketplaces e estratégias tradicionais de marketing. Se o consumidor puder pesquisar e comprar dentro de uma conversa, as plataformas de comércio eletrônico perderão espaço?
Na avaliação de Felipe, é cedo para prever o desaparecimento desses canais. O executivo acredita que as empresas precisarão se adaptar à mudança nos caminhos de descoberta e compra, mas continuarão tendo de despertar o interesse dos consumidores por suas marcas e produtos. “Eu preciso criar o interesse de compra”, ressalta.
A mudança, portanto, pode estar menos no fim do funil de vendas e mais na forma como o consumidor percorre suas etapas. Uma pessoa impactada por uma campanha publicitária, por exemplo, poderá procurar informações sobre o produto em uma ferramenta de IA, em vez de recorrer diretamente a um buscador ou visitar diferentes sites.
O executivo ainda diz que o comércio agêntico não será o único caminho para as compras. Formatos como o live commerce, que combina transmissões ao vivo e vendas, também podem ganhar espaço, enquanto parte dos consumidores continuará preferindo pesquisar online e concluir a compra presencialmente.
Tap to pay e infraestrutura financeira
Além dos agentes de IA, o episódio aborda outra frente de atuação da Zoop: o tap to pay, tecnologia que permite transformar um celular em um terminal para receber pagamentos por aproximação.
A solução pode reduzir a necessidade de equipamentos tradicionais de pagamento, além de custos relacionados à compra, manutenção e logística de maquininhas. A tecnologia também pode ser integrada a aplicativos de bancos, fintechs e outras empresas, permitindo que elas ofereçam a funcionalidade diretamente aos seus clientes.
A Zoop atua nesse mercado como fornecedora de infraestrutura financeira white label, modelo em que uma empresa pode oferecer serviços sob sua própria marca utilizando a tecnologia de um parceiro. Assim, uma plataforma de gestão empresarial, por exemplo, pode incorporar pagamentos aos seus serviços sem precisar desenvolver toda a estrutura por conta própria.
Para ouvir o novo episódio do MVP na íntegra, é só escolher a sua plataforma de preferência (YouTube ou Spotify) nos links abaixo e dar o play.
O post Como a Zoop está se preparando para a era do comércio agêntico apareceu primeiro em Startups.

