Roy Mor, CEO da Loora | Foto: divulgação

A Loora, plataforma israelense de ensino de inglês com inteligência artificial, captou uma Série B de US$ 22 milhões e colocou o Brasil entre as prioridades da nova fase de expansão. A rodada foi liderada pela Union Tech Ventures, com participação da vgames e dos investidores existentes Emerge, Hearst Ventures e QP Ventures, e eleva o total captado pela companhia a US$ 43,25 milhões. O valuation não foi divulgado.

O país não é novidade para a empresa, e é isso que sustenta a prioridade. “O Brasil é consistentemente um dos nossos mercados de melhor desempenho no mundo, tanto em número de usuários quanto em profundidade de engajamento”, diz Roy Mor, CEO da Loora, ao Startups.

A companhia não abre assinantes por mercado, mas o executivo afirma que o Brasil “sempre figura entre os cinco principais mercados em aprendizes ativos” e que o crescimento dos últimos doze meses “superou de forma significativa” a média global. O indicador que ele destaca é a retenção: o usuário brasileiro pratica com mais consistência e em sessões mais longas do que a média.

A leitura dele sobre por que isso acontece é menos sobre tamanho de população e mais sobre motivo de uso. “O que torna o Brasil particularmente interessante em comparação com a Alemanha ou o Japão é a intensidade da motivação”, afirma. “Os aprendizes brasileiros não estudam inglês por interesse cultural. Eles estudam porque veem o idioma como o caminho mais direto para um emprego melhor, um salário mais alto ou uma carreira internacional.”

Apesar do foco acentuado no mercado brasileiro, Roy afirma que não há um cheque separado para a operação local. “Não estamos alocando capital mercado a mercado no sentido tradicional”, diz. “O investimento vai para a infraestrutura que atende todos os mercados simultaneamente.”

Para a Loora, a Série B será destinada a três frentes: escalar pesquisa e engenharia de IA, expandir o go-to-market nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América do Sul, e aprofundar a infraestrutura de dados.

O que chega ao Brasil, nas palavras do CEO, é “investimento em conteúdo localizado, parcerias regionais, desenvolvimento do mercado B2B”, além das equipes que dão suporte a tudo isso. Globalmente, o time deve dobrar nos próximos seis meses, de 30 para 60 pessoas, com foco em IA, engenharia e ciência do aprendizado.

É no B2B que a edtech vê o espaço mais imediato por aqui. A Loora fechou mais de 100 clientes corporativos no mundo em seu primeiro ano de vendas enterprise, entre empresas, governos e universidades, e Roy confirma que vários estão no Brasil, mas não abriu nomes. “A oportunidade B2B no Brasil é significativa”, diz, citando grandes empregadores de serviços financeiros, tecnologia, logística e bens de consumo.

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