Peça conceitual da Warhound | Foto: divulgação

Do mesmo empreendedor “visionário” que quer trazer os dodôs e os mamutes de volta, vem agora um plano para colocar cães geneticamente editados em missões militares. É essa a aposta da Warhound, que combina edição genética, clonagem e uma nova rodada de investimentos.

A startup saiu do modo stealth nesta quinta-feira (22) com US$ 200 milhões captados com investidores como Sequoia, 8VC, Corner Ventures e In-Q-Tel, braço de venture capital que tem a CIA e outras agências de inteligência americanas como financiadoras. A rodada avalia a empresa em US$ 1,2 bilhão.

Por trás da ideia estão dois nomes conhecidos do ecossistema americano: Ben Lamm, CEO da Colossal Biosciences, e Palmer Luckey, fundador da Anduril, de tecnologia de defesa.

Ben contou ao TechCrunch que conheceu Palmer há cerca de um ano, em uma conferência. Na ocasião, o fundador da Anduril defendeu que era preciso fazer mais pelos cães militares. Os dois mantiveram contato, e Ben foi estudar como esses animais são criados. O que ele encontrou: muitos cães não passam do treinamento por predisposições hereditárias a problemas como visão ruim, câncer, displasia de quadril e atrofia muscular.

A proposta é usar a tecnologia da Colossal para criar cães com “características adequadas a missões exigentes”, nas palavras da empresa. Isso inclui saúde e longevidade, mas também “coisas como velocidade e agilidade, ou sensores olfativos aprimorados para farejar bombas”, diz Ben.

A equipe estudou duas das raças de melhor desempenho em trabalho, o pastor-belga malinois e o pastor-alemão, e coletou linhagens celulares desses animais (células vivas cultivadas em laboratório), que agora ficam em um biobanco. A partir delas, o time vai editar os genes dos cães, adicionando os que melhoram o desempenho e removendo os que atrapalham. O objetivo é chegar ao que Ben chama de “um novo tipo de cachorro”.

Esses cães devem assumir tarefas perigosas demais para humanos ou difíceis demais para máquinas, como detecção de bombas, buscas e outras operações especializadas.

Cães e armaduras

A Anduril entra com software e hardware, como coletes e óculos de proteção, para ajudar cães e tratadores com consciência situacional e coordenação. Ben dá como exemplo coletes à prova de balas com sensores que enviam dados aos tratadores, para que eles entendam melhor o que acontece em campo.

“A ideia é: se a gente deixar o cachorro mais seguro, mais saudável e com melhor desempenho, ele vai render mais em serviço”, afirma o executivo. Para ele, a contribuição da Anduril fica “em cima do cachorro, não dentro dele”, e também deve proteger melhor os tratadores humanos.

Nos projetos de “desextinção”, a Colossal usa IA e compra e desenvolve tecnologias de clonagem e de identificação e cópia de genes de animais. Agora, segundo Ben, a Warhound está prestes a clonar e incubar o primeiro lote de cães. Os nascimentos estão previstos para o início do ano que vem, e a entrada em serviço, no cenário ideal, deve acontecer em até dois anos.

A clonagem fica a cargo da Viagen, outra empresa da Colossal. Ben afirma que a tecnologia da Viagen tem alta taxa de sucesso e já é usada no programa da Colossal de proteção de espécies ameaçadas.

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