A Replit anunciou nesta quinta-feira (27) que seus agentes de IA passam a trabalhar no código dos produtos e sistemas que as empresas já têm em operação. Com os Replit Cloud Agents, profissionais de produto, design, suporte e operações descrevem em linguagem natural uma sugestão de mudança, e o agente entrega à engenharia uma proposta pronta para revisão, testada e com vídeo da alteração funcionando.
O lançamento ataca um gargalo conhecido no mundo dos negócios: quem sabe o que precisa mudar no produto raramente é quem programa. O ajuste vira ticket e disputa espaço na sprint com as prioridades do time de engenharia.
Como uma ideia vira pull request?
A pessoa descreve a mudança e o agente encontra o trecho certo no código da empresa para alterar. Antes de chegar à engenharia, ele pode testar a alteração no app em ambiente separado e corrigir o que falhar. O resultado é um pull request, uma proposta formal de mudança no código, com prints e vídeo para dar contexto ao revisor. Se a mudança envolve uma decisão de negócio, o agente pergunta antes.
Quem decide o que vai para produção?
Abrir um pull request não coloca nada no ar. A engenharia revisa a proposta e decide o que vai para produção; se pedir ajustes, o agente faz as correções no mesmo pull request. O agente também só acessa o que a pessoa já pode acessar, e senhas e chaves vêm do cofre de segredos da própria empresa, sem ficarem expostas.
Os comentários de revisão também podem virar regras para os próximos pedidos. O agente propõe atualizar as instruções que seguem naquele código, e cada atualização só vale depois de aprovada por um engenheiro. O novo recurso está em acesso antecipado. Segundo a Replit, a memória do workspace, da qual ele faz parte, reduziu em 51% o consumo de tokens e derrubou de 16 minutos para um minuto uma tarefa de dados comum no uso interno da empresa, sem perda de qualidade.
“Numa startup, o tempo da engenharia é o recurso mais disputado. Quando o designer ou o PM chegam com a mudança testada, e não com um ticket, a engenharia gasta esse tempo decidindo, não traduzindo pedido em código”, afirma Marcelo Echeverria, Head de Latam da Replit.
Quem mais na empresa ganha com isso?
O caso mais óbvio é o de designers e gerentes de produto, mas o acesso ao código também serve para tirar dúvidas. Com o agente, qualquer pessoa da empresa pode perguntar como o produto funciona e receber respostas baseadas no que de fato foi construído.
Alguns exemplos: um líder de suporte descobre por que um cliente continua recebendo o mesmo erro; um profissional de marketing confere se uma funcionalidade funciona como diz o texto de lançamento; um vendedor descobre qual time conhece melhor um recurso antes de propor uma mudança. Cada pergunta respondida pelo agente é uma interrupção a menos para engenheiros e líderes de produto.
O que a empresa precisa configurar?
Colocar o app de uma empresa para rodar exige repositórios, versões de linguagem, bancos de dados, serviços e credenciais. Para quem não é técnico, repetir essa configuração costuma ser o ponto em que a contribuição para.
Com os ambientes compartilhados, um administrador configura tudo uma só vez. O agente explora o código e monta uma máquina virtual que roda o app, sempre atualizada a partir da versão principal do código. Os ambientes suportam dezenas de linguagens, microsserviços com vários repositórios, imagens Docker, bancos de dados, filas e caches. E as credenciais vêm dos gerenciadores de segredos da empresa.
E se a ideia nascer numa conversa?
Muitas melhorias aparecem primeiro num canal de suporte ou numa thread entre PMs. Mencionando o @Replit no Slack, a própria conversa vira o pedido: o agente investiga o problema ou transforma a proposta em pull request, e a pessoa acompanha o progresso na thread. Também é possível começar um pedido pelo app do Replit no celular. O suporte ao Microsoft Teams foi anunciado como próximo passo.
Quais resultados a Replit já viu?
A Replit usa o agente no próprio código desde março de 2026. Segundo a empresa, o time de design entregou mais de 250 mil linhas de código em seis meses dessa forma, todas revisadas e aprovadas por engenheiros.
O lançamento faz parte do Replit for Business, apresentado em 26 de outubro com a tese da Self-Driving Company: empresas em que as pessoas definem a direção e os agentes executam dentro de limites definidos pela organização.
Quem já pode usar?
Os Cloud Agents para repositórios existentes estão disponíveis para clientes dos planos Pro e Enterprise. A integração com o Slack vale para todos os clientes. No dia 5 de novembro, o time de produto da Replit faz um webinar sobre como começar.
Assista à demonstração em português.
A Replit é a plataforma que permite a pessoas e empresas criar software com IA, da ideia ao app em produção, com segurança e governança. No Brasil, a operação é liderada por Marcelo Echeverria, Head of Latam.
O post Com a Replit, todos os times podem contribuir com o código da empresa, e a engenharia aprova apareceu primeiro em Startups.

