A vice-presidente analista do Gartner, Tori Paulman, afirmou que os CIOs devem participar mais nas discussões corporativas na era da inteligência artificial. Em sua visão, os executivos devem assumir mais responsabilidades, algo que deve ser dividido em quatro etapas:
- Responsabilidade e governança;
- Gestão de financiamento;
- Integração de tecnologia e modelos;
- Inteligência compartilhada para a empresa.
Esse conceito é chamado de AI Central Bank (banco central da IA, na tradução para o português). Ou seja, trata-se de um convite para a liderança de TI discutir orçamento, uso da tecnologia e de modelos de IA na organização, de modo que a adoção do recurso seja estratégica e transversal.
A proposta é baseada em alguns estudos recentes da empresa de análise de mercado que apontam:
- 86% dos CIOs dizem que o risco está crescendo mais rápido que o valor da organização, informa o Gartner C-Suite de 2026;
- 58% dos executivos dizem que estão notando resultados positivos com a IA, mas apenas uma em cada dez de suas iniciativas está entregando retorno sobre o investimento positivo — dado que também integra a pesquisa Gartner C-Suite deste ano;
- Apenas 25% dos CIOs integram proativamente os riscos de tecnologia nas decisões de negócios, de acordo com o Gartner CIO Risk and Resilience.
ROI na era da IA
Para Gabriela Vogel, também VP analista do Gartner, o tema do ROI na era da IA é complexo, uma vez que varia conforme o grau de maturidade da empresa. A executiva divide o amadurecimento das companhias em duas partes:
- As organizações mais avançadas e com mais experiência em IA — focadas em mudanças operacionais e com investimentos mais balanceados — buscam o “dinheiro verde”, o ROI que traz resultado financeiro na prática para a empresa;
- As companhias que estão no começo da jornada buscam o “dinheiro azul”, o valor obtido com produtividade, em ações mais simples e superficiais que podem ser uma promessa de trazer ganho real algum dia, como economizar tempo com automações.
Para avançar nessas jornadas, Vogel explicou que a trajetória de adoção da inteligência artificial corporativa deve ser realizada em três etapas simultâneas:
- Acelerar a adoção da IA com foco na descoberta, criação de capacidade e curiosidade das equipes — algo apoiado em um centro de custos;
- Recalibrar e redesenhar processos, sistemas e modelo operacional; neste ponto, a IA começa a ser medida pelo ROI;
- Reinventar o modelo de negócios e de produtos e serviços para levar a companhia ao futuro — uma estratégia mais dinâmica e com investimentos de alto risco, em um modelo de gestão similar ao venture capital.
Citando a pesquisa Gartner AI Maturity de 2026, Vogel explicou que as empresas de baixa maturidade de IA concentram mais seus orçamentos de tecnologia na camada de aceleração (42%), seguida por recalibragem (34%) e reinvenção (18%).
Por sua vez, as mais avançadas em IA focam em recalibrar (40%), em seguida, reinventar (30%) e acelerar (30%).
Imagem principal: Tori Paulman (de blazer) e Gabriela Vogel, VPs analistas do Gartner (divulgação)

