A Creditas divulgou os resultados do terceiro trimestre de 2026, e o que os números mostram é um período de duas direções. A carteira bateu recorde, a receita bateu recorde, mas o prejuízo operacional, que tinha caído nos últimos dois trimestres, voltou a crescer.
Os números foram divulgados em primeira mão pela VEF, a gestora sueca que lidera a posição desde a Série C de 2017, quando entrou com US$ 25 milhões num cheque total de US$ 50 milhões, e que presta contas de suas investidas a cada trimestre.
O resultado operacional foi negativo em R$ 53 milhões, contra R$ 33,7 milhões no 2T26, uma piora de quase 60% em três meses. Na comparação anual a leitura é outra: no mesmo período de 2025, o prejuízo era de R$ 81,8 milhões, o que mantém a trajetória estrutural de queda, mas o número interrompe a sequência de reduções nas perdas operacionais.
A explicação está na margem. O lucro bruto recuou 7,4% no trimestre, para R$ 251,6 milhões, e a margem bruta caiu de 37,6% para 34,6%. Segundo a fintech, alguns fatores pesaram para isso, como a reversão do efeito inflacionário que aumentou a receita do Home Equity no trimestre anterior, um desencaixe de calendário no custo de captação e um custo de crédito um pouco maior, associado à própria expansão da carteira.
Do lado do crescimento, o portfólio gerenciado chegou a R$ 8,5 bilhões, alta de 26,8% no ano e de 5,1% no trimestre. Os números ficaram acima da meta de crescer mais de 25% ao ano, com a Selic ainda em patamar elevado. A receita somou R$ 728,3 milhões, alta de 34,9% no ano.
Por outro lado, a receita cresceu só 0,7% frente ao 2T26, e aqui vale a ressalva que a própria companhia fez: descontado o efeito da indexação, o avanço sequencial teria sido de 7%. A originação ficou em R$ 1,13 bilhão, alta de 15% no ano e queda de 0,5% no trimestre. No geral, o saldo é positivo, com três trimestres seguidos de originação no patamar recorde de R$ 1,1 bilhão.
Por vertical, o Auto Finance cresceu 5,3% na originação trimestral e o consignado privado, 3,8%. Auto Equity e Home Equity começaram o trimestre devagar e recuperaram ritmo ao longo dele. As despesas operacionais totalizaram R$ 304,6 milhões, alta de 5,8% no ano e queda de 0,2% no trimestre, mantendo a base de custo praticamente congelada enquanto a carteira cresce 27%.
Para explicar o controle dos custos, a Creditas diz ter agentes de IA rodando em produção na originação, na análise de crédito, na cobrança, no atendimento, no back office e no desenvolvimento de software. No comercial, o agente de vendas da fintech já converte mais que os consultores humanos nos segmentos em que atua.
A companhia afirma que a originação totalmente automatizada começou a ganhar volume em setembro. Na análise de crédito do Auto Finance, o agente de underwriting já processa automaticamente mais de 50% das propostas. No apoio aos canais, a empresa diz que o uso de IA permitiu a times pequenos administrar redes extensas de concessionárias, dobrando a receita comercial por funcionário em um ano.
Quanto as expectativas futuras, mesmo em um cenário que projeta juros altos e retração no mercado de crédito, a Creditas mantém o otimismo. A meta de crescer acima de 25% ao ano continua de pé, e a companhia repete o discurso de equilibrar crédito disciplinado com alavancagem operacional até a rentabilidade.
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