A alta do dólar pode pesar no bolso dos brasileiros e atingir um dos produtos mais presentes na rotina de consumo: o café.
Mesmo sendo um dos maiores produtores e exportadores do mundo, o Brasil não está imune ao encarecimento do grão no mercado interno, especialmente diante da valorização da moeda americana.
Em entrevista ao InfoMoney durante a Casa Clear, Rafael Perretti, economista da Clear Corretora, explicou como o câmbio afeta os custos de produção, estimula as exportações e pode pressionar os preços nas prateleiras.
Além do café, o movimento também representa riscos para outros alimentos, para a inflação e para a trajetória dos juros no país.
Por que o café pode encarecer
Embora o Brasil tenha uma produção expressiva de café, parte dos recursos necessários para cultivar e comercializar o produto depende do mercado internacional.
Dessa forma, quando o dólar sobe, fertilizantes, máquinas e outros insumos importados ficam mais caros em reais, elevando os custos para os produtores brasileiros.
“Dependemos de fertilizantes, de maquinários, de insumos que vem de fora, que são importados e por conta do dólar mais alto isso encarece a cadeia produtiva”, explica Perretti.
Esse aumento dos custos de produção pode percorrer diferentes etapas da cadeia até alcançar o consumidor.
Assim, mesmo que o café seja produzido em território nacional, a valorização cambial pode acabar refletida no preço cobrado pelos estabelecimentos comerciais.
“Essa cadeia produtiva mais cara acaba sendo repassada para o cliente final”, ressalta o economista.
Entretanto, o custo dos insumos não é o único fator capaz de pressionar os preços.
A valorização do dólar também torna as vendas ao exterior financeiramente mais atraentes, já que o produtor recebe em moeda estrangeira.
Esse cenário pode alterar a relação entre exportações e abastecimento interno.
“O segundo fator é a exportação. Com o dólar alto acaba sendo muito mais vantajoso para o produtor exportar o seu produto do que comercializá-lo dentro do próprio país”, destaca.
Na prática, essa vantagem cambial pode levar produtores a exigir preços maiores para comercializar o café no próprio país.
Consequentemente, o consumidor brasileiro pode enfrentar reajustes mesmo em um mercado abastecido por produção nacional.
“Então para ele poder comercializar o produto dentro do país, ele tem que também subir o preço”, afirma.
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Quando poderá chegar o reajuste nas prateleiras
Apesar dos efeitos potenciais sobre o café, a valorização do dólar não significa necessariamente um reajuste imediato nos supermercados.
Segundo Perretti, a duração do movimento cambial será determinante para avaliar quando os consumidores poderão sentir seus efeitos. “Isso tudo depende se o dólar vai permanecer em um patamar elevado ou não”, observa.
Caso a moeda americana continue valorizada por um período prolongado, a pressão sobre os custos e os preços de comercialização poderá alcançar o varejo. Portanto, a permanência do câmbio em níveis elevados merece atenção.
“Se o dólar permanecer por algumas semanas ou até meses em um patamar elevado, a gente pode ver isso recaindo para as prateleiras, para o consumidor final nos próximos meses”, alerta.
Além disso, Perretti explica que os movimentos do mercado financeiro não são transmitidos instantaneamente aos preços pagos pelas famílias. Existe uma defasagem entre a variação cambial e sua repercussão na economia.
Por isso, o risco de encarecimento depende também da persistência da alta. “Se perpetuar o efeito na prateleira vai acontecer um pouco mais adiante”, enfatiza.
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