O fundador e CEO do Airbnb, Brian Chesky, fundou um laboratório de inteligência artificial e está financiando o negócio com recursos próprios – num movimento que levantou questionamentos sobre a capacidade do empreendedor de tocar duas empresas ao mesmo tempo e do impacto que isso pode gerar para o Airbnb. Os detalhes da nova empreitada de Chesky foram revelados num filing publicado ontem pelo Airbnb, junto com a divulgação dos resultados do terceiro tri da plataforma de hospedagem. No comunicado, o Airbnb disse que seu fundador já estava tocando a nova startup em stealth mode nos últimos doze meses, junto com o CTO do Airbnb, Ahmad Al-Dahle, que liderava a divisão de AI da Meta e deixou a companhia de Mark Zuckerberg em janeiro deste ano para se juntar ao Airbnb.  Al-Dahle tem uma participação de 10% na nova startup, onde atua como consultor. O Airbnb disse ainda que fechou um acordo com a startup de Chesky para ceder propriedade intelectual a ela por US$ 7,1 milhões, e que ganhou o direito de investir na startup numa eventual rodada. Segundo o Airbnb, as funções de Chesky e Al-Dahle no AI lab “não mudam suas obrigações e responsabilidades com o Airbnb, e eles continuam dedicando o tempo e atenção necessários para cumprir suas responsabilidades.” Os planos de Chesky de investir num laboratório de AI já haviam sido revelados em junho pela Bloomberg, que disse que o foco do novo lab seria design e experiência do usuário. A nova startup já tem escritório e time operacional próprios. O nome jurídico da empresa é Kaboodle Labs, ainda que este não deva ser o nome comercial do negócio.  Chesky não é o primeiro empresário a investir num novo negócio enquanto continua tocando sua empresa original.  Executivos como Elon Musk (fundador da Tesla e da SpaceX), Jack Dorsey (fundador do Twitter e da Block) e Steve Jobs (que foi simultaneamente CEO da Apple e Pixar), já fizeram movimentos parecidos no passado, lembra o The Information.  Ainda assim, a decisão de Chesky levantou questionamentos sobre governança corporativa e o impacto que a nova função terá em sua dedicação ao Airbnb, que vale mais de US$ 100 bilhões na Nasdaq.  “Se um empregado seu disser que começou um trabalho part-time e que isso não vai afetar o que ele faz para você, você não se perguntaria se talvez ele não tivesse trabalho suficiente para ele fazer?” o jornalista Martin Peers questionou no The Information. “Como o Airbnb pode dizer que um projeto paralelo não vai afetar o tempo que Chesky dedica a seu papel de CEO? Por definição, ter outro empreendimento tem que no mínimo ser uma distração para Chesky.”  Peers disse ainda que usar o exemplo de Musk não faz sentido, já que ele não é nenhum benchmark de governança corporativa. O benchmark, escreveu ele, deveria ser “o que é melhor para os interesses dos acionistas.” “Chesky comanda o Airbnb desde que co fundou a empresa, em 2008. Seria natural que ele estivesse um pouco entediado – convenhamos, o Airbnb não é a empresa mais empolgante do mundo – e estivesse em busca de um novo desafio,” escreveu Peers. “Mas, se este for o caso, ele deveria deixar o cargo de CEO e permitir que alguém com novas ideias assumisse o comando, enquanto ele se dedica aos seus sonhos de AI.” Apesar dos questionamentos, o projeto paralelo de Chesky parece não ter pesado na ação. Na abertura do pregão de hoje, a ação do Airbnb subia mais de 9% com os investidores aplaudindo os resultados do terceiro tri.  No período, o Airbnb cresceu sua receita em 19% para US$ 4,87 bilhões, e reportou um lucro por ação de US$ 3,25, 11% acima do consenso.