Ações do Bradesco avançam com força em meio à queda dos juros futuros e à valorização do setor financeiro. Imagem gerada com uso de IA/Rodrigo Petry
" data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Bradesco-e-Mercado-em-Ascensao.jpg?fit=1280%2C720&quality=70&strip=all" />O Bradesco elevou nesta semana as taxas de juros de algumas de suas linhas de crédito imobiliário, em um movimento que chamou atenção pela velocidade. O reajuste ocorreu na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando os juros futuros dispararam e o mercado financeiro passou por um forte movimento de aversão ao risco.
A taxa mínima do financiamento habitacional residencial passou de 11,7% para 15% ao ano, mais Taxa Referencial, hoje em 2% ao ano.
Questionado sobre os motivos da decisão, o banco informou apenas que “atualizou as taxas máximas de suas linhas de crédito imobiliário em função do aumento verificado nas taxas de juros do mercado”. A instituição acrescentou que as condições finais continuam sendo negociadas individualmente conforme o perfil do cliente e as características de cada operação, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre a velocidade do reajuste.
Para uma fonte relevante do mercado imobiliário com mais de duas décadas de atuação no sistema financeiro, o movimento parece ter sido uma reação ao salto observado nos juros futuros no penúltimo pregão. Na avaliação da fonte, não se trata necessariamente de uma mudança estrutural imediata nas condições do crédito, mas de uma tentativa de proteção diante da volatilidade observada no mercado logo após as eleições. “Foi um dia em que não havia praticamente preço para nada”, disse.
O papel das LCIs e dos juros futuros
A explicação para o reajuste está na forma como os bancos financiam o crédito imobiliário. Embora a poupança continue sendo a principal fonte de recursos do setor, concentrando quase 30% dos recursos, ela vem perdendo participação relativa nos últimos anos.
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As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) respondiam por 19% do funding do sistema em dezembro de 2025, enquanto os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) representavam outros 10%, segundo dados da Abecip. Juntos, os dois instrumentos somavam cerca de R$ 768 bilhões, o equivalente a 29% da estrutura de funding do mercado imobiliário.
Ambos são influenciados, direta ou indiretamente, pelo comportamento do CDI, que costuma estar atrelado a remuneração desses contratos, e da curva de juros futuro, que reflete as expectativas dos investidores para a trajetória das taxas de juros nos próximos anos – incorporando também fatores como inflação, risco fiscal e incertezas econômicas.
A fonte explica que os bancos já utilizam uma combinação de recursos da poupança com captações realizadas no mercado por meio de instrumentos como as LCIs. Quando os juros futuros sobem de forma abrupta, aumenta a incerteza sobre o custo dessas futuras captações e, consequentemente, sobre a rentabilidade dos financiamentos concedidos hoje.
“Como os financiamentos imobiliários podem durar 30 anos ou mais, enquanto uma LCI normalmente tem prazo de um a três anos, as instituições precisam considerar o custo de futuras captações ao definir as taxas cobradas nos contratos atuais”.
O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2028 passou de 12,859% na sexta-feira anterior para aproximadamente 14,82% no ajuste de segunda-feira. Já a taxa do contrato para janeiro de 2031 saltou de 12,642% para cerca de 15,28%
Outras instituições vão aumentar os juros do crédito imobiliário?
Até o momento, outras instituições financeiras não indicaram mudanças semelhantes.
Perguntado sobre a possibilidade de também elevar o custo do crédito imobiliário, o Santander informou que acompanha “os indicadores econômicos e os movimentos do mercado de crédito imobiliário” e avalia eventuais impactos desse ambiente sobre as taxas cobradas dos clientes, mas reforçou que as taxas seguem iniciando a partir de partir de 11,69% (ao ano) + TR.
Já o Sicredi afirmou que não prevê ajustes em seus spreads neste momento. “Não há, neste momento, previsão de ajustes no spread, considerando o caráter estratégico e fidelizador do produto”, informou a instituição.
“O produto permanece como uma prioridade estratégica para a instituição, e nossa perspectiva é seguir impulsionando o crescimento da carteira no médio e longo prazo”, acrescentou.
O Itaú Unibanco foi procurado, mas não respondeu aos pedidos de comentário até a publicação desta reportagem, e o Banco do Brasil está em período de silêncio em função da divulgação do seu balanço do terceiro trimestre.
Reação exagerada?
A fonte ouvida pela reportagem considera que a reação observada no mercado, de desmonte de posições, provocando forte pressão sobre os contratos de juros futuros, câmbio e títulos públicos, foi exagerada.
Na avaliação do especialista consultado, entretanto, os sinais observados já no pregão desta terça-feira indicam um início de normalização. “Quem tinha que sair das posições, saiu. E o mercado volta a ser o que sempre foi”, afirmou.
Por isso, a leitura é que a decisão do Bradesco pode ter refletido muito mais um ambiente momentâneo de incerteza do que uma mudança definitiva no cenário do crédito imobiliário.
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