A forte volatilidade e o pânico operacional marcaram a Bolsa de Valores brasileira no primeiro dia de negociações após o resultado do segundo turno das eleições. O resultado das urnas foi oposto ao que havia sido precificado pelo mercado, o que levou o pregão de segunda-feira (26) a abrir já no circuit breaker.

Na Casa Clear, evento em que especialistas acompanharam as cotações e orientaram operadores de day trade em tempo real, a recomendação geral para traders e investidores de longo prazo, nesta manhã, foi de cautela absoluta e preservação de patrimônio.

Analistas e operadores destacaram que a leitura equivocada do cenário eleitoral provocou uma reação de ajuste brusco nas cotações, eliminando referências técnicas tradicionais.

Ao InfoMoney, a analista CNPI da Clear Corretora e mentora Pamela Semezzato disse que a abertura em queda acentuada impôs um ambiente de dúvida para todo o mercado.

“Eu acho que quando a gente tem movimentos de pânico, como o de hoje, que abre já no limite de baixa, temos um novo limite que acaba sendo de incerteza para todo mundo. Do que fazer, de como se comportar”, afirmou.

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A especialista reforçou que a prioridade durante o pregão foi orientar a manutenção das estratégias de controle de danos, independentemente do horizonte de investimento.

“Frisamos muito na sala para que cada um respeitasse o seu gerenciamento de risco, que é o mais importante, e o seu operacional também. Isso tanto para operações de day trade quanto de swing trade”, completou Pam.

Especialistas recomendam pausar operações até redução da turbulência

O altíssimo risco operacional levou analistas a desencorajar a montagem de novas posições enquanto os preços não encontrarem um ponto de equilíbrio.

O sócio da XP Inc. e criador da Aceleradora X, Aliakyn “Kyn” Pereira de Sá, ressaltou que a principal ferramenta do operador é o seu próprio patrimônio e que períodos atípicos demandam postura defensiva.

Ele ressalta que o capital é a principal ferramenta de trabalho, e por isso deve ser protegido ao máximo “Mercado a gente tem todos os dias. O mais importante é passar por esses períodos o mais ileso possível”, afirmou Kyn.

O analista pontuou que, mesmo com a expectativa de um dia turbulento, o cenário de pânico não trouxe boas oportunidades para operações de curto prazo devido aos custos elevados e à falta de liquidez.

“A gente entendeu que o risco era tão elevado, a liquidez baixa e os limites de queda interrompendo algumas negociações, que era melhor a gente acompanhar o mercado e instruir os nossos clientes”, explicou o especialista.

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A paralisação das atividades operacionais também foi a conduta adotada por traders profissionais durante o dia atípico. O trader e cliente da Clear Dirceu Vieira explicou que a magnitude do evento eleitoral inviabilizou a aplicação de seus modelos quantitativos de entrada.

“Considerando o evento de ontem e o tamanho da volatilidade que ele traria hoje, eu não opero nesses dias”, disse Vieira.

A necessidade de afastar decisões impulsivas diante do choque inicial foi reforçada sob a ótica comportamental. A psicanalista e trader Marcielli Delgado Mota ressaltou que dias como hoje colocam em risco operadores que não seguem parâmetros rígidos de controle.

“Hoje uma pessoa que vai se aventurar num mercado em que ela não tem nenhum tipo de referência, porque é atípico, é uma pessoa que está à deriva, pisando no medo, na incerteza e na angústia. Então hoje não é um dia de tomar decisões”, alertou Marcielli.

Sobre o desdobramento dos preços nos próximos pregões, analistas projetam um período prolongado de oscilações até que as incertezas sejam dissipadas.

Contudo, Dirceu avalia que o movimento de queda devolveu as cotações aos patamares anteriores ao período eleitoral, criando condições para a busca por ativos a preços descontados no longo prazo, condicionado à condução das contas públicas.

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“A expectativa é de que o próximo governo vai ter que atuar na questão fiscal, querendo ou não. O catalisador para o mercado ter uma sensação positiva é essa atuação na questão de ajuste fiscal”, disse o trader.

“Então, dado que tem uma expectativa – que não é mais uma questão de quem está no governo, mas que é uma obrigatoriedade para a economia –, a expectativa é de que a bolsa volte a subir e ela agora vai dar oportunidade de entrada em bons preços para longo prazo”, concluiu.

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