Salve-se quem puder.
Como esperado, o Ibovespa desabou desde a abertura, com os investidores desfazendo as posições que haviam montado nas últimas semanas.
O
circuit breaker foi acionado logo na abertura, depois de uma queda do Ibovespa superior a 15%. As negociações foram retomadas depois de 30 minutos e a baixa superou os 16%, com muitas ações em leilão.
O SMALL11, o índice de
small caps, caía cerca de 30%.
Vários papéis caíram mais de 30% durante a manhã: B3, CSN, C&A, Assaí, Magazine Luiza, Localiza e Cyrela chegaram a desvalorizar entre 40% e 50%. Vamos caiu 60%.
BTG teve baixa de 35%, Banco do Brasil, de 30% e Bradesco, 25%.
“Algumas quedas estão exageradas por causa dos
stop losses,” disse um gestor de ações. “Ainda vai levar um tempo para separar o joio do trigo.”
Na outra ponta, as exportadoras Gerdau, Suzano, Vale e Embraer subiam entre 5% e 10% no fim da manhã.
Foi o primeiro
circuit breaker desde a pandemia – em março de 2020, o mecanismo havia sido acionado seis vezes.
Mais cedo, as negociações do Ibovespa futuro já haviam sido paralisadas quando o indicador abriu em queda de quase 15%. Quando o mercado voltou, a baixa beirou os 19,7%.
O EWZ abriu caindo mais de 20%, e o dólar à vista explodiu 12% para R$ 5,60.
Os juros longos dispararam até 182 pontos-base e atingiram os limites de oscilação estabelecidos pela B3.
A B3 elevou duas vezes os limites de oscilação dos contratos futuros de Ibovespa, mini futuro de Ibovespa, dólar futuro, mini futuro de dólar e DI futuro para o pregão de hoje.
Nos contratos do Ibovespa, os limites inferiores de variação diária passaram, primeiro, de 10% para 15% e, depois, de 15% para 20%.
Nos contratos futuros de dólar, houve alteração de 6% para 8,4% e, depois, para 12%. No caso dos contratos futuros de DI, os limites foram alterados de acordo com os vencimentos.
O Tesouro cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para a terça e a quinta-feira, mas manteve o leilão de papeis vinculados à Selic.
O JP Morgan rebaixou a recomendação para a dívida soberana brasileira em dólar de neutra para
underweight. Para o banco, os papéis estão expostos a uma “correção significativa” – a menos que “a pressão do mercado leve a concessões fiscais”.
O JP manteve a recomendação
overweight para títulos de empresas brasileiras com grau de investimento, que poderiam resistir a um cenário mais complicado e atrair investidores que decidirem vender títulos de maior risco. Mas passou a recomendar venda para os papéis
high yield.
O
BTG passou a projetar uma queda de 30% do Ibovespa em dólares, e a volta dos juros reais para 8%, caso não haja um ajuste fiscal crível.
Hoje, as taxas estão em 6,7% depois de uma queda de 81 pontos-base nos últimos 30 dias.
Para colocar o número em perspectiva, os juros reais de longo prazo ficaram, em média, em 6,7% durante o terceiro mandato de Lula e em 6,9% no segundo. Nos dois mandatos de Dilma Rousseff, as médias foram de 5,5% e 6,5%, respectivamente.