Binance (Foto: Bloomberg)

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Binance (Foto: Bloomberg)

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A Binance começou a restabelecer os saques dos clientes neste domingo, depois que hackers tentaram retirar mais de US$ 6 bilhões no maior roubo cibernético já registrado, enquanto o setor de criptomoedas aguarda respostas sobre a invasão atribuída à Coreia do Norte e medidas para reforçar as defesas da exchange.

A maior plataforma de ativos digitais do mundo reabriu os saques de Bitcoin depois das 14h, no horário de Cingapura, mais de dois dias após suspendê-los em consequência da invasão. A primeira fase contempla 15 tokens, incluindo Ether e as duas maiores stablecoins, USDT, da Tether, e USDC, da Circle Internet Group Inc., informou a Binance no X.

“A Binance está adotando uma abordagem gradual, priorizando os tokens com base nos dados de demanda dos usuários da última semana, para que cada par de rede e ativo possa ser restaurado cuidadosamente, com verificações de estabilidade e segurança concluídas antes que o acesso seja reaberto”, disse a Binance.

Os saques em 12 redes de blockchain, incluindo Ethereum, BNB Smart Chain, XRP e Base, foram retomados por volta das 19h30, segundo a empresa.

A retomada testa a promessa da Binance de ressarcir integralmente os clientes após um roubo quatro vezes maior que o recorde anterior de invasão de criptomoedas, sofrido pela Bybit em 2025.

O FBI dos EUA afirmou no sábado que o ataque à Binance foi realizado pelo TraderTraitor, uma unidade de elite de hackers norte-coreanos que também foi responsabilizada pelo roubo de cerca de US$ 1,5 bilhão da Bybit.

O impacto sobre o mercado parece relativamente limitado, com a maioria das principais criptomoedas registrando variação inferior a 1% neste domingo. O Bitcoin, que representa cerca de 60% do valor de mercado do setor, era negociado em torno de US$ 78 mil, cerca de 5% abaixo da máxima registrada na quinta-feira, antes do ataque.
“Em certo nível, isso mostra o quanto o setor amadureceu”, disse Haseeb Qureshi, sócio-gerente do fundo de venture capital Dragonfly. “Vimos respostas extraordinariamente rápidas.”

A Binance afirmou que já substituiu cerca de 90% das criptomoedas roubadas usando seu tesouro corporativo, fundos de emergência e fundos de seguro. Os recursos retirados no ataque eram uma combinação das maiores criptomoedas em 10 blockchains, incluindo Bitcoin e Ethereum.

“Nosso compromisso permanece inalterado: a Binance assumirá o impacto financeiro dos fundos roubados”, afirmou a empresa. “Essas perdas não serão repassadas aos usuários.”

A exchange consegue cobrir as perdas devido ao investimento contínuo de parte de sua receita em criptomoedas, afirmou o co-CEO da Binance, Richard Teng, em um vídeo publicado nas redes sociais na sexta-feira. Yi He, que também é co-CEO, disse que a receita da Binance neste ano cobriria integralmente o valor perdido.

O custo final para a Binance ainda não está claro. A exchange informou que cerca de US$ 3 bilhões em ativos afetados haviam sido congelados até sexta-feira, embora isso não signifique que tenham sido recuperados.

Uma série de ataques neste ano contra empresas de criptomoedas e o setor financeiro em geral aumentou as preocupações de que a inteligência artificial esteja tornando os hackers mais eficientes. Alguns especialistas em segurança acreditam que hackers norte-coreanos incorporaram ferramentas de IA a seu arsenal, especialmente para ajudar em reconhecimento e engenharia social.

Além do FBI, as empresas de inteligência de blockchain TRM Labs, Chainalysis e Elliptic também apontaram hackers norte-coreanos como os responsáveis pelo ataque à Binance.

Os ataques expuseram fragilidades de segurança enquanto o setor de criptomoedas avança em direção ao sistema financeiro tradicional. Centenas de milhões de dólares foram retirados da Bitget em setembro. Hackers também roubaram mais de US$ 100 milhões em Bitcoin de carteiras protegidas por dispositivos da Coinkite Inc., enquanto uma adulteração envolvendo dispositivos da Ledger provocou perdas de milhões de dólares.

Outros ataques cibernéticos recentes atingiram o mercado de previsão Polymarket, as empresas financeiras sul-coreanas Mirae Asset Global Investments e Daishin Securities, além da plataforma japonesa de negociação de moedas GMO Internet Group Inc.

A Binance é muito maior que suas concorrentes no setor. A empresa detém cerca de US$ 134 bilhões em ativos, ante aproximadamente US$ 29 bilhões da segunda maior exchange, a OKX, segundo dados da DefiLlama. A Binance registrou US$ 2,5 bilhões em saídas líquidas após a retomada dos saques, de acordo com dados da DefiLlama até as 19h30, no horário de Cingapura.

Yi e Teng abordaram na sexta-feira o potencial dano à reputação que o ataque poderia causar. Em um vídeo publicado no X, Yi prometeu que a Binance continuaria trabalhando com as autoridades para encontrar os responsáveis pelo ataque. A empresa se comprometeu a reembolsar quaisquer usuários que tenham perdido fundos na invasão.

“Não vamos permitir que os hackers tirem do setor o impulso que ele merece”, disse ela em seu vídeo, falando em mandarim. “É claro que há áreas em que poderíamos ter feito melhor. Deveríamos ter investido mais em segurança antes e estabelecido padrões mais rigorosos. Daqui para frente, não vamos poupar esforços, seja para investir em segurança ou para combater hackers.”

A Binance criou em 2018 uma reserva de emergência chamada Secure Asset Fund for Users, ou SAFU, como proteção para os clientes em “situações extremas”, segundo a exchange. O SAFU geralmente é mantido em torno de US$ 1 bilhão, mas seu valor já oscilou no passado em conjunto com os movimentos do mercado, informou a Binance em 2024.

A Binance havia informado anteriormente que o incidente pode envolver o laptop de um engenheiro de software comprometido, além de “pontos adicionais de invasão”. A empresa afirmou não ter encontrado evidências de vazamento de chaves privadas.

© 2026 Bloomberg L.P.

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