A Binance recuperou 98% dos ativos roubados no ataque cibernético de 29 de outubro e reconstruiu os sistemas comprometidos pela ofensiva. O co-diretor-executivo da plataforma, Richard Teng, afirma à rede de televisão norte-americana CNBC nesta terça-feira (3) que a empresa permanece financeiramente sólida e segue trabalhando com parceiros e autoridades para rastrear os fundos restantes.

A recuperação representa a maior parte dos mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas que hackers desviaram da maior exchange do mundo. A Binance bloqueou temporariamente determinados saques, usou suas próprias reservas para cobrir as perdas dos clientes e se comprometeu a repor integralmente os ativos afetados.

Resposta coordenada com o setor

Além das medidas internas, a empresa articulou uma resposta com parceiros do mercado. A Tether, a Circle e a Ripple auxiliaram no congelamento de cerca de US$ 3 bilhões em ativos. A Coinbase bloqueou transferências para carteiras comprometidas e prestou assistência direta à Binance, embora parte dos fundos roubados continue circulando por canais de lavagem de dinheiro.

Até esta terça-feira (3), a plataforma havia reconstruído o sistema de carteiras e a ferramenta interna de inteligência artificial (IA) afetados pelo ataque. Também foram substituídos dispositivos comprometidos, desativadas credenciais e tokens vinculados aos engenheiros envolvidos e ampliadas as varreduras de segurança nos dispositivos dos funcionários.

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Teng observa que os invasores passaram meses preparando a ofensiva antes de executá-la, em uma cadeia de infiltração que combinou entrevistas de emprego falsas, software malicioso e ferramentas internas de IA comprometidas. O executivo rejeita a ideia de que a brecha teve um único ponto de falha, como o computador de um funcionário específico.

“Em junho, criaram uma versão falsa de uma ferramenta de desenvolvimento e atraíram um dos nossos engenheiros para instalá-la”, observa Teng ao programa “Squawk on the Street”, da CNBC. “Em setembro, se passaram por recrutadores e conduziram uma série de entrevistas de emprego com outro engenheiro, o que resultou em um exercício de programação que continha malware oculto, projetado para escapar da segurança.”

Investigação e próximos passos

Teng não atribui diretamente o ataque à Coreia do Norte, mas reconhece que o Bureau Federal de Investigações (FBI) dos Estados Unidos vinculou a ação a hackers norte-coreanos ligados ao grupo TraderTraitor.

“Também estamos contratando um especialista independente para revisar tudo o que fizemos e continuaremos fortalecendo nossas defesas enquanto a investigação avança”, explica o co-CEO. “Estamos trabalhando sem parar com agências de segurança pública e parceiros do setor para rastrear e congelar os fundos roubados.”

A Binance afirma que continua comprando os ativos mais ilíquidos que formam o saldo dos 2% ainda não repostos.

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