A Binance sofreu nesta quinta-feira (29) um ataque hacker estimado em US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 33,7 bilhões, na cotação atual), o maior roubo de criptomoedas já registrado. Em publicação no X (antigo Twitter), a empresa afirma que os fundos dos usuários estão seguros e que arcará com todos os prejuízos.
“Os usuários devem permanecer atentos a golpes e não devem confiar em links, mensagens ou solicitações de informações de conta não oficiais. Como medida de precaução, todos os depósitos e saques estão temporariamente suspensos enquanto nossa equipe realiza verificações de segurança, congela fundos e colabora com as autoridades policiais”, disse a corretora de criptomoedas.
Ainda em investigação até a publicação desta reportagem, a Binance acredita que os invasores acessaram carteiras digitais da plataforma (as chamadas hot wallets) e fizeram saques não autorizados em cerca de 20 minutos. A violação pode ter começado com o notebook comprometido de um engenheiro de DevOps. Por meio dele, o invasor teria obtido acesso a um contêiner de serviço e enviado as transações.
Mais cedo, a corretora havia informado o congelamento de US$ 2,54 bilhões. Ao longo da noite, o total bloqueado chegou a cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,1 bilhões), cerca de metade do valor roubado. A empresa alertou que esse número pode aumentar e disse que divulgará apenas valores verificados, após valores diferentes circularem publicamente, como US$ 1,8 bilhão.
“A Binance já reservou mais de US$ 6,34 bilhões em fundos da empresa para cobrir este incidente. US$ 5 bilhões desses fundos já estão mantidos nos ativos exatos em tokens que foram impactados”, apontou em última atualização.
Coreia do Norte também é suspeita
Enquanto a Binance suspeita de um notebook comprometido, empresas especializadas em rastreamento de criptomoedas apontaram possíveis ligações entre o ataque e grupos de hackers associados à Coreia do Norte.
A TRM Labs afirmou ter alta confiança de que a ação foi orquestrada por um grupo ligado ao país, com base em informações obtidas dentro e fora da blockchain. A Pangolin Intelligence, empresa sediada em Singapura, também atribuiu o ataque a uma unidade de hackers norte-coreanos.
A Chainalysis, por sua vez, disse ter alto grau de confiança na hipótese de envolvimento da Coreia do Norte e informou que acompanha a movimentação dos ativos roubados.
A possível participação da Coreia do Norte chama atenção porque grupos de hackers ligados ao país já foram responsabilizados por grandes ataques ao mercado de criptomoedas. Em março de 2025, por exemplo, o Lazarus Group, grupo de cibercriminosos associado ao governo norte-coreano, foi apontado como responsável pelo roubo de cerca de US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit.
Segundo autoridades americanas e sul-coreanas, operações cibernéticas são uma importante fonte de recursos para o regime norte-coreano, que enfrenta sanções internacionais. O país, no entanto, já negou anteriormente acusações de envolvimento em ataques hackers.
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