A Binance anunciou, neste sábado (31), que cobriu 90% do valor roubado na quinta-feira (29), quando foi alvo do maior ataque hacker do setor.
Segundo a empresa, dez criptomoedas – entre elas, Bitcoin (BTC) e Ether (ETH) – estão com valores totalmente cobertos. Os 10% restantes são criptomoedas menos negociadas no mercado.
A corretora informou que continuará cobrando ativos até repor 100% do valor roubado (mais de US$ 6 bilhões).
Ataque hacker na Binance: entenda o caso
O ataque ocorreu por volta das 17h, no horário de Brasília. E demorou cerca de 20 minutos, segundo registros de transações analisados por especialistas.
Para a TRM Labs e a Chainalysis, os responsáveis pelo roubo seriam hackers ligados à Coreia do Norte. Essas empresas são americanas e especializadas em rastrear movimentações de criptomoedas.
Já a Binance não tinha informado, até a publicação desta matéria, se tinha identificado os cibercriminosos.
A corretora trabalha com autoridades policiais mundo afora para apurar o que aconteceu. Entre elas, estão o FBI e o Serviço Secreto dos EUA, segundo a Reuters.
A empresa suspendeu temporariamente os saques e garantiu que o dinheiro dos seus clientes está protegido.
O que aconteceu
A princípio, a Binance suspeitou que os hackers tivessem invadido o computador de um dos seus engenheiros.
Depois, a empresa informou ter encontrado falhas de segurança que podem ter sido exploradas pelos cibercriminosos.
Os hackers comprometeram o sistema responsável por autorizar transferências de criptomoedas, segundo a TRM Labs.
Parte do dinheiro roubado estava em stablecoins, criadas para manter um valor estável. Elas funcionam como uma espécie de espelho de moedas tradicionais do mundo real, como o dólar americano.
A Binance foi fundada em 2017, em Xangai, na China. Segundo a edição mais recente do seu relatório anual, publicado em 2025, a empresa tem 335 milhões de usuários cadastrados mundo afora.
Ainda segundo o relatório, a Binance mantinha sob sua responsabilidade aproximadamente US$ 162,8 bilhões (R$ 879 bilhões) em ativos digitais.
Ataque hacker na Binance mostra ‘transformação’ nas ameaças digitais
“O caso evidencia uma transformação importante no cenário de ameaças digitais”, diz Micaella Ribeiro, cofundadora da IAM Brasil e especialista em Segurança da Informação e Gestão de Identidades e Acessos, em entrevista ao Olhar Digital.

A especialista observa que “um ataque a uma corretora de criptomoedas não significa necessariamente que a tecnologia blockchain tenha sido comprometida”.
No entanto, Ribeiro frisa que o uso de criptomoedas envolve riscos diferentes. “Uma coisa é a segurança da tecnologia blockchain; outra é a segurança das plataformas utilizadas para comprar, vender e armazenar esses ativos”, aponta.
De acordo com a especialista, esse ataque reforça uma tendência preocupante: “criminosos estão direcionando seus esforços para comprometer identidades, dispositivos e sistemas que já possuem autorização legítima para executar operações críticas”.
Confira os destaques da entrevista com Micaella Ribeiro nesta matéria do Olhar Digital.
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