A maior corretora de criptomoedas do mundo foi alvo do maior ataque hacker do setor. Cibercriminosos roubaram US$ 6,3 bilhões (R$ 34 bilhões, aproximadamente) da Binance na quinta-feira (29).

“O caso evidencia uma transformação importante no cenário de ameaças digitais”, diz Micaella Ribeiro, cofundadora da IAM Brasil e especialista em Segurança da Informação e Gestão de Identidades e Acessos, em entrevista ao Olhar Digital.

A plataforma permite comprar, vender e guardar criptomoedas, como o Bitcoin.

Ataque hacker na Binance: entenda o caso

O ataque ocorreu por volta das 17h, no horário de Brasília. E demorou cerca de 20 minutos, segundo registros de transações analisados por especialistas.

Para a TRM Labs e a Chainalysis, os responsáveis pelo roubo seriam hackers ligados à Coreia do Norte. Essas empresas são americanas e especializadas em rastrear movimentações de criptomoedas.

Em aproximadamente 20 minutos, hackers roubaram da Binance bilhões em criptomoedas – Imagem: Stanslavs/Shutterstock

Já a Binance informou que não tinha identificado os cibercriminosos (pelo menos, até a publicação desta matéria).

A corretora trabalha com autoridades policiais mundo afora para apurar o que aconteceu. Entre elas, estão o FBI e o Serviço Secreto dos EUA, segundo a Reuters.

A empresa suspendeu temporariamente os saques, garantiu que o dinheiro dos seus clientes está protegido e prometeu cobrir as perdas.

Até o momento, aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 16,2 milhões) em criptomoedas roubadas no ataque hacker foram localizados.

Parte desse montante foi bloqueada com a ajuda de outras empresas do setor.

O que aconteceu

A princípio, a Binance suspeitou que os hackers tivessem invadido o computador de um dos seus engenheiros.

Depois, a empresa informou ter encontrado falhas de segurança que podem ter sido exploradas pelos cibercriminosos.

Os hackers comprometeram o sistema responsável por autorizar transferências de criptomoedas, segundo a TRM Labs.

Parte do dinheiro roubado estava em stablecoins, criadas para manter um valor estável. Elas funcionam como uma espécie de espelho de moedas tradicionais do mundo real, como o dólar americano.

A Tether, uma das maiores empresas do setor, informou ter congelado pouco mais de US$ 1,5 bilhão (R$ 8 bilhões). A Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões (R$ 4,3 bilhões). E a Ripple congelou cerca de US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão).

De acordo com a Reuters, a World Liberty Financial, empresa de criptomoedas ligada ao presidente dos EUA, Donald Trump, e sua família também participou do bloqueio de recursos.

Na prática, esse congelamento impede que os hackers movimentem criptomoedas roubadas.

A Binance foi fundada em 2017, em Xangai, na China. Segundo a edição mais recente do seu relatório anual, publicado em 2025, a empresa tem 335 milhões de usuários cadastrados mundo a afora.

Ainda segundo o relatório, a Binance mantinha sob sua responsabilidade aproximadamente US$ 162,8 bilhões (R$ 879 bilhões) em ativos digitais.

O que você precisa entender sobre o ataque hacker

Para começar: “um ataque a uma corretora de criptomoedas não significa necessariamente que a tecnologia blockchain tenha sido comprometida”, observa Micaella Ribeiro.

No entanto, a especialista frisa que o uso de criptomoedas envolve riscos diferentes. “Uma coisa é a segurança da tecnologia blockchain; outra é a segurança das plataformas utilizadas para comprar, vender e armazenar esses ativos”, aponta.

Ilustração de hacker mexendo com criptomoeda
“Um ataque a uma corretora de criptomoedas não significa que a tecnologia blockchain tenha sido comprometida”, diz especialista – Imagem: Ozrimoz/Shutterstock

De acordo com Ribeiro, esse ataque reforça uma tendência preocupante: “criminosos estão direcionando seus esforços para comprometer identidades, dispositivos e sistemas que já possuem autorização legítima para executar operações críticas”.

“Isso amplia a preocupação com identidades não humanas, como contas de serviço, aplicações, APIs e processos automatizados, que frequentemente possuem privilégios elevados e nem sempre recebem o mesmo nível de governança aplicado aos usuários tradicionais”, acrescenta.

Para Ribeiro, “a principal lição é que uma operação tecnicamente autorizada não é necessariamente uma operação legítima”.

Por isso, a especialista frisa que o caso exige uma mudança na estratégia de segurança das organizações.

“Não basta proteger o acesso inicial aos sistemas. É necessário verificar continuamente quem está acessando, quais privilégios possui, quais operações pode executar e se essas operações são compatíveis com seu comportamento e suas responsabilidades”, diz a especialista.

No que diz respeito a quem usa criptomoedas e investidores do setor, Ribeiro diz que “o mais importante é acompanhar os comunicados oficiais da corretora, verificar possíveis restrições de movimentação e redobrar a atenção com tentativas de fraude que possam surgir aproveitando a repercussão do incidente”.

(Esta matéria também usou informações do G1.)

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