As ações da Apple despencaram cerca de 4% nesta terça-feira (3) após a divulgação dos primeiros resultados financeiros da empresa sob o comando do novo diretor-executivo John Ternus. Os números revelaram que a alta nos custos de chips de memória está corroendo as margens da fabricante do iPhone.

O relatório, divulgado pela Reuters, mostra que a pressão sobre os custos é mais ampla: vendas de smartphones, computadores pessoais (PCs) e outros eletrônicos já sofreram ao longo deste ano com aumentos de preço causados pela escalada dos custos de chips de memória, enquanto a corrida da indústria de inteligência artificial (IA) para expandir seus data centers absorve a oferta disponível.

A margem bruta da Apple, que representa a parcela da receita retida após os custos de produção, recuou para 47,9% no trimestre encerrado em setembro, ante o trimestre de junho, mesmo com o alívio proporcionado por reembolsos de tarifas. Para o trimestre de dezembro, a companhia projeta nova contração, para uma faixa entre 45% e 46%, pressionada também pelos custos do lançamento de uma Siri baseada em IA.

Custos de memória “sem precedentes”

O diretor-executivo, em sua primeira teleconferência de resultados, afirma que “o que estamos vendo com os preços de memória agora é sem precedentes”. Segundo Ternus, a situação deve se agravar: “No trimestre de dezembro, esperamos custos de memória ainda maiores. E, olhando além do trimestre de dezembro, vemos os preços das compras de memória continuando a subir.”

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Para mitigar o impacto, a Apple vem utilizando estoques de chips adquiridos anteriormente a preços mais baixos e buscou garantir fornecimento futuro com antecedência. As obrigações de compras de manufatura da empresa, que englobam pedidos feitos a fornecedores e fabricantes contratados, cresceram US$ 33 bilhões, atingindo US$ 89,7 bilhões até 26 de setembro, conforme registro protocolado pela companhia.

Blitz de produtos e risco de afastar consumidores

A queda das ações pesou também sobre o índice S&P 500 e o Nasdaq nesta terça-feira. As expectativas eram altas porque a postura contida da Apple em relação aos gastos com IA a havia transformado em um porto seguro para investidores preocupados com os custos crescentes do setor, ajudando seus papéis a acumular ganho superior a um quinto no acumulado do ano.

A pressão sobre os chips de memória ocorre justamente quando Ternus lidera uma série de lançamentos com novidades inéditas para a marca, entre elas o primeiro celular dobrável da companhia, o iPhone Duo, e os primeiros MacBooks com tela sensível ao toque.

A Apple também vem reajustando preços para proteger a lucratividade. Essa estratégia, combinada com a forte procura pela linha premium iPhone 18 Pro, permitiu que a empresa superasse as estimativas de vendas do quarto trimestre e projetasse receita otimista. Analistas, no entanto, alertam que novos aumentos de preço correm o risco de afastar compradores em um cenário de inflação em alta.

O responsável pela área de mercados da AJ Bell, Dan Coatsworth, diz que os comentários do diretor-executivo sugerem que “os produtos Apple vão ficar ainda mais caros, o que não é ideal em um momento em que o consumidor sente o aperto do custo de vida mais alto.”

Com as perdas mantidas, a Apple deve perder mais de US$ 170 bilhões em valor de mercado a partir de sua avaliação de US$ 4,94 trilhões. As ações são negociadas a cerca de 35 vezes o lucro esperado nos próximos 12 meses, ante 18,23 vezes da Alphabet e 23,43 vezes da Microsoft.

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