(Imagem: Pixabay)

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Quem aplicou no Tesouro Direto em 5 de outubro, primeiro pregão após o primeiro turno, e vendeu os títulos no fechamento de segunda-feira (26) teve perda de até 16,2%, segundo simulação do InfoMoney com quatro títulos prefixados e atrelados à inflação. A maior perda é do Tesouro IPCA+ 2050, comprado naquele dia na menor taxa registrada pelo título na série do Tesouro após a votação.

Em 5 de outubro, o resultado do primeiro turno levou investidores a apostar na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), e as taxas tiveram forte queda. Como preço e taxa andam em sentidos opostos, os títulos ficaram mais caros. Três semanas depois, o primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inverteu o movimento, e quem comprou caro passou a vender barato.

Depois do IPCA+ 2050, a maior perda no fechamento de segunda é a do Tesouro Prefixado 2032, de 10,7%. O Tesouro IPCA+ 2032 recua 4,6%, e o Prefixado 2029, 4,3%.

Para quem vendeu cedo, o prejuízo foi maior. As taxas foram mais altas na abertura de segunda, às 12h13, e aliviaram ao longo do dia. Nesse momento, a perda do IPCA+ 2050 chegou a cerca de 27%, e a do Prefixado 2032, a cerca de 12%.

Em reais, R$ 10 mil aplicados no IPCA+ 2050 em 5 de outubro valiam R$ 8.381 no fechamento de segunda, depois de chegar a cerca de R$ 7.322 na abertura. No Prefixado 2032, o mesmo valor caiu para R$ 8.926.

TítuloTaxa de compra em 5/10Venda no fechamento de segunda (26)Pior momento, abertura de segunda
IPCA+ 2050IPCA + 6,32%-16,2%cerca de -26,8%
Prefixado 203212,95%-10,7%cerca de -11,9%
IPCA+ 2032IPCA + 6,91%-4,6%cerca de -6,1%
Prefixado 202912,74%-4,3%cerca de -4,5%
CDB a 100% do CDI–+0,4%+0,4%
Fonte: Tesouro Nacional, com cálculos do InfoMoney.

No mesmo período, um CDB que pagasse 100% do CDI teria rendido 0,4% líquidos, ou cerca de R$ 39, sem a oscilação de preço dos títulos.

O movimento também encolhe o ganho de quem entrou antes do primeiro turno. Em 5 de outubro, um investimento de R$ 10 mil no Tesouro IPCA+ 2050 feito em 30 de julho, quando o título pagava IPCA + 7,54%, então a maior taxa da série, acumulava ganho bruto de 29,5%. Com os preços do fechamento de segunda, o ganho bruto do mesmo investimento cai para 11,6%.

A simulação considera R$ 10 mil aplicados pelo preço de compra da manhã de 5 de outubro, informado na série histórica do Tesouro, e vendidos pelo preço de resgate. A venda no fechamento de segunda-feira (26) usa o preço de resgate divulgado pelo Tesouro Direto. A venda na abertura de segunda usa preço de resgate estimado a partir do spread entre compra e venda da manhã de sexta-feira (23).

Os valores são líquidos da taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano. Como todos os títulos têm perda, não há cobrança de IR nem de IOF. O CDB considera CDI de 13,65% ao ano por 14 dias úteis, com IR de 22,5% e IOF de 30% sobre o rendimento, por ter 21 dias de aplicação. A comparação com a compra de 30 de julho usa o preço de compra da manhã daquele dia e o preço de resgate do fechamento de segunda, em valores brutos.

Do rali do 1º turno à alta recorde dos prefixados

A perda reflete a distância entre os dois pregões. Em 5 de outubro, os prefixados tiveram a segunda maior queda diária de taxas da série histórica do Tesouro, iniciada em 2005. Na abertura de segunda, tiveram a maior alta.

Esse vaivém aparece no preço por causa da marcação a mercado. Quando as taxas sobem, um título comprado antes passa a pagar menos que os novos, e o preço cai para compensar a diferença. O efeito é proporcional ao prazo, e por isso o IPCA+ 2050, com quase 24 anos até o vencimento, perde mais que os títulos de 2029 e 2032.

O IPCA+ 2050 foi comprado em 5 de outubro a IPCA + 6,32% e vendido na segunda a IPCA + 7,15%, a taxa de resgate do fechamento, pela qual o investidor vende ao Tesouro. No Prefixado 2032, a taxa passou de 12,95% na compra para 15,62% na venda.

A perda só se concretiza para quem vende antes do vencimento. Quem comprou o Tesouro IPCA+ 2050 e o Tesouro Prefixado 2032 em 5 de outubro e leva os títulos até o fim recebe a rentabilidade contratada, de IPCA + 6,32% e de 12,95% ao ano, respectivamente, antes de impostos e custódia.

Para Vinícius Romano, coordenador de Investimentos da Suno Consultora, o momento pede cautela tanto para comprar quanto para vender. “Agora é manter a cabeça no lugar e não comprar ou vender no calor do momento”, diz. Glauber Sá, fundador da Akros Consultoria, recomenda segurar os títulos longos. “O erro mais caro não é comprar no dia errado, é abandonar a estratégia no meio do caminho”, afirma.

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