Quem nunca ficou anos a fio pendurado em uma assinatura ou preso a um serviço pela simples falta de paciência ou tempo de procurar alternativas?
Muitas empresas tiram boa parte de seus lucros de consumidores que são cativos pela inércia.
Foi bom para elas – enquanto durou.
Na era dos agentes de AI, este modelo de negócios pode estar prestes a ruir, porque os agentes fazem o trabalho que o humano não se dispõe a fazer.
Num artigo recente aqui no Brazil Journal, o empreendedor Kiko Homem de Mello disse que já usou um agente para negociar o reembolso de um curso, contactar o suporte do Booking para cancelar uma reserva de hotel, e identificar diversos conflitos de agenda.
Nos últimos dias, a rápida adoção do Muse, o assistente de AI da Meta, está fazendo um estrago nas ações de diversos setores – como turismo, mídia, seguros e serviços financeiros – que historicamente se beneficiam do chamado inertia moat.
A Goldman Sachs criou uma cesta temática que acompanha as ações de empresas que faturam com a inércia dos consumidores – o consumer inertia basket. Estão aí companhias de diferentes setores, como Netflix, Booking, Expedia, Charles Schwab, Allstate e Planet Fitness.
Desde o lançamento do Muse, há duas semanas, essa cesta caiu mais de 10% – indo na contramão do Nasdaq 100, que apesar de um recuo de hoje está próximo de seu all-time high, puxado pelas empresas de AI.
A rede de academias Planet Fitness já caiu 18% nos últimos cinco dias, e amarga desvalorização de 62% desde o início do ano.
O New York Times também vem sofrendo, com um tombo de 13% nos últimos cinco dias, e a seguradora Allstate teve desvalorização superior a 10%. No mesmo período, a Netflix caiu 7%, acumulando perdas de quase 20% desde o início do ano.
Analistas da Bloomberg Intelligence prevêem que os agentes de AI poderão ameaçar até mesmo plataformas de serviços online líderes em seus segmentos, como o Uber.
O selloff lembra o ocorrido com as ações de software as a service em fevereiro, sob o impacto da concorrência dos agentes da Anthropic e da OpenAI.
Enquanto isso, a Meta disparou 13% nos dois últimos dias, impulsionada pelos downloads do Muse. Em 30 dias, o papel sobe 33%.
É o ‘ChatGPT moment’ da Meta, disse a CNBC.
Segundo um analista do JP Morgan, o Muse tem o potencial para ser o app de AI mais usado, depois do ChatGPT.
Leonardo Otero – o fundador da Arbor Capital, uma gestora focada em ações globais – disse que a Meta foi uma das empresas que mais investiram em data centers e, ao contrário de startups como Anthropic e OpenAI, tem grande capacidade computacional para oferecer AI agêntica.
“Se o uso dos agentes começar a viralizar, como parece ser o caso agora, a Meta estará em uma situação ímpar,” afirmou Otero.
A empresa tem uma base de 3,6 bilhões de usuários que fornecem informações a todo o momento, em aplicativos como WhatsApp e Instagram – e agora, com os agentes de AI, os anúncios da Meta deverão ser ainda mais assertivos.
“O Muse foi muito bem recebido, há dados empíricos mostrando que foi o melhor produto de AI agêntica lançado até agora,” disse Otero.
Nos EUA, o Muse está em primeiro lugar entre os aplicativos mais baixados, tanto na loja de aplicativos da Apple como do Android.
The post AI já machuca empresas que dependem da inércia do consumidor appeared first on Brazil Journal.

