Quatro veteranos do mercado de comunicação e marketing decidiram unir seus negócios para criar uma agência de relações públicas data-driven e impulsionada por inteligência artificial. Batizada de Ahead Partners, a nova operação nasce da fusão entre a Ahead, fundada por Marcos Guedes e José Sergio Osse, e a Lever PR, fundada por Renato Mendes e Felipe Hatab.
A união resultou em uma agência com 30 clientes, incluindo startups como Conta Azul, Onfly, Turbi, e Caveo, além de empresas da economia real como JFL, Schaefer Yachts, Aureon Holding Financeira, Volaris Group Latam, Mágio Chocolates, entre outras.
Desde abril, a Ahead Partners passou a integrar a estrutura da Lever, que funciona como holding e reúne outras frentes de comunicação e marketing, incluindo growth, CRM e redes sociais. A frente de RP ficou concentrada na Ahead.
A expectativa agora é acelerar o crescimento, atingindo um faturamento de R$ 10 milhões até o fim de 2028.
“A fusão nos permitiu acelerar um processo que, inicialmente, imaginávamos que levaria mais tempo para amadurecer. Quando somamos as duas carteiras, praticamente triplicamos o tamanho da operação em relação ao ponto de partida, e a demanda continuou crescendo. Esperávamos passar mais tempo organizando a estrutura antes de chegar a esse estágio. Mas a resposta à proposta de unir comunicação, tecnologia e dados tem sido bastante positiva”, afirma Zé, em entrevista ao Startups.
Segundo Marcos, a proposta da Ahead Partners é ocupar um espaço entre as consultorias estratégicas, que muitas vezes entregam o planejamento sem participar da execução, e as agências tradicionais, mais voltadas às demandas operacionais do dia a dia. A ideia é combinar senioridade, estratégia e capacidade de execução, usando dados e tecnologia para apoiar tanto a comunicação quanto os objetivos de negócio dos clientes.
“Estávamos incomodados com a forma como relações públicas e assessoria de imprensa são vistas dentro das empresas, muitas vezes como um acessório. Queremos ser parceiros de negócios, entender onde a empresa está, aonde quer chegar e como a comunicação pode ajudá-la a atingir seus objetivos. Isso vale tanto para empresas em construção quanto para organizações consolidadas, que precisam sustentar sua autoridade e reputação”, acrescenta.
Quem são os sócios
A união combina a experiência dos quatro executivos em diferentes frentes do mercado. Marcos participou do time fundador do EducBank, onde acompanhou a construção da marca desde o início até a venda da empresa para a Cogna, em 2026. Antes, atuou com comunicação institucional no setor público, incluindo a prefeitura e o governo do estado de São Paulo.
José Sergio Osse, por sua vez, construiu parte da carreira em grandes redações, como Valor, IstoÉ Dinheiro e Bloomberg, antes de migrar para o mercado de comunicação corporativa. Passou pela agência FSB e, posteriormente, assumiu posições de liderança em empresas de tecnologia, como head de comunicação do QuintoAndar e da Cora.
Do lado da Lever PR, Renato Mendes traz mais de 25 anos de experiência em growth marketing. Foi head de Marketing e Comunicação da Netshoes e fundou uma aceleradora de startups, um fundo de venture capital e uma consultoria de crescimento.
Já Felipe Hatab acumula mais de 15 anos de experiência em marketing e gestão. Foi sócio da AB InBev por dez anos e chegou ao cargo de diretor de marketing de marcas globais no Brasil aos 29 anos.
Com a fusão, Marcos assume a posição de CEO da Ahead Partners, enquanto Zé fica responsável pela operação como COO.
E onde entra a tecnologia?
A tecnologia é um dos pilares da operação da Ahead Partners, de acordo com os sócios. A ideia, segundo Zé, é aplicar ferramentas de análise de dados e inteligência artificial tanto no diagnóstico dos clientes quanto nos processos internos. Um exemplo é o uso de ferramentas de IA para coletar, organizar e cruzar informações para identificar tendências, possíveis narrativas e oportunidades de negócio.
Além disso, a agência também desenvolve métricas para avaliar se a comunicação está contribuindo para os objetivos de cada cliente. Esse tipo de entrega, de acordo com o executivo, atrai principalmente as startups.
“Muitas vezes, esses empreendedores querem entender o que estão recebendo em troca do investimento em relações públicas. Por isso, desenvolvemos metodologias de mensuração que ajudam a traduzir os resultados em indicadores compreensíveis”, explica. “Esse tipo de abordagem facilita a conversa com executivos, engenheiros e profissionais que não necessariamente conhecem a dinâmica das relações públicas”.
Para os sócios, porém, o olhar humano continua sendo fundamental. A ideia é usar dados e IA para dar escala ao trabalho, mantendo a estratégia e a construção das narrativas sob responsabilidade da equipe.
“A tecnologia pode fazer o trabalho de força bruta, identificar padrões e organizar informações, mas a avaliação sobre o que tem valor para o cliente exige experiência e julgamento. Queremos preservar a originalidade e o DNA de cada cliente”, observa Zé.
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