Com o EWZ em baixa de quase 20% depois da vitória surpreendente de Lula, gestores projetam uma segunda-feira caótica nos mercados.
“As ações domésticas boas, como shoppings e empresas de energia, devem cair uns 20 a 30%. Varejistas, 60%. Bancos, 15%,” disse um gestor de fundos de ações.
“Num primeiro momento, não tem comprador. Talvez algum gringo, mas será um dia muito difícil. A Bolsa deve devolver toda a alta desde o primeiro turno e cair um pouco mais,” disse um outro gestor de ações.
Muitos haviam aumentado a exposição a ações mais sensíveis a juros nos últimos dias, para capturar uma possível alta caso Flávio Bolsonaro fosse eleito.
Mas como a disputa estava apertada, ainda havia espaço para aumentar posições, e parte da carteira estava protegida via opções.
Hoje à noite, o Bradesco BBI reduziu sua recomendação para ações brasileiras de
overweight para neutra – citando que novas altas vão depender de avanços nas agendas econômica e fiscal e dos resultados das empresas.
Sem comprador marginal à vista, a expectativa é que o
circuit breaker seja ativado nesta segunda.
Isso acontece quando o Ibovespa atinge uma baixa de 10% em relação ao fechamento do dia anterior: nesse caso, a negociação de ações, derivativos e renda fixa privada é interrompida por 30 minutos.
Reaberto o mercado depois desses 30 minutos, caso haja uma queda de 15% frente ao dia anterior, o pregão é interrompido por uma hora. Depois disso, se houver uma desvalorização de 20%, a B3 determina a interrupção das negociações por um período definido por ela.
Outra parte do ajuste deverá ocorrer via câmbio. O contrato futuro de real na CME, em Chicago, apontava para um dólar de R$ 5,50.
No caso dos juros, a maioria dos gestores previa uma abertura superior a 100 pontos-base na taxa do DI de janeiro de 2029 caso Lula fosse eleito, de acordo com uma
pesquisa feita pelo Citi e divulgada na sexta.