A Starlink Mobile está chegando – e as grandes telecoms sentiram
A SpaceX comprou ontem um portfólio de licenças de espectro de baixa frequência que deve viabilizar a Starlink Mobile como uma operadora nos EUA, assustando as incumbentes.
As ações da Verizon, T-Mobile e AT&T recuaram 6% depois da notícia, enquanto os papéis de empresas de infraestrutura terrestre como Crown Castle e American Tower subiram 9% e 6%, respectivamente.
As licenças, compradas ao VC temático Grain Management, têm abrangência nacional e totalizam até 14 MHz de espectro na faixa de 800 MHz.
Segundo a SpaceX, trata-se de um “espectro privilegiado de baixa frequência” que abrirá caminho para que a Starlink Mobile se torne “uma grande operadora de telefonia móvel nos EUA”.
Por enquanto, Verizon (147 milhões), T-Mobile (143) e AT&T (121) têm mais de 100 milhões de clientes cada. A Starlink, zero.
O Citi disse que as incumbentes ainda têm um curto prazo sólido graças “ao alongamento do ciclo de substituição de aparelhos e à menor rotatividade de clientes,” segundo a Barron’s.
Mas agora a empresa de Elon Musk vai poder dizer que usa tecnologias terrestres e de satélite para entregar a melhor banda larga móvel de alta velocidade aos clientes americanos.
Uma coisa é verdade: tanto a demanda por telefonia celular quanto a comunicação via satélite estão crescendo – e o mercado tende a ficar mais acirrado à medida que a disponibilidade de espectro diminui.
O Brasil é um dos três maiores mercados globais da Starlink, dizem analistas do UBS – que acreditam que a SpaceX poderia adquirir espectro terrestre diretamente da Anatel caso queira entrar no mercado nacional.
A faixa de 850 MHz é a mais relevante para a empresa no Brasil, pois representaria o equivalente mais próximo aos ativos na faixa de 800 MHz adquiridos recentemente pela empresa nos EUA.
O UBS disse ter encontrado “evidências substanciais de que a SpaceX está buscando oferecer conectividade móvel no Brasil por meio de iniciativas de D2D (Direct-to-Device) e de uso de espectro via satélite”.
Todavia não há confirmação de que a empresa pretende replicar o modelo americano no Brasil.
A Verizon vale US$ 180 bilhões na Bolsa, a T-Mobile, US$ 168 bilhões, e a AT&T, US$ 156 bilhões.
A SpaceX vale US$ 2,2 trilhões.